Qualquer poder que se desenvolva, qualquer ferramenta que se use, tem de ser utilizada com responsabilidade, para o bem dos outros e da humanidade, nunca para benefício próprio. Quando entramos no reino dos poderes espirituais, é ainda importante esclarecer que para além da responsabilidade directa pelo que fazemos (o que acontece directamente ao alvo da nossa acção) temos responsabilidade indirecta pelo que acontece (o que o nosso poder provoca na vida dos outros e o que acontece em cadeia pela nossa acção). Temos imensas fontes para nos orientarem, uma delas é a parábola de Cristo quando nos ensina que devemos ensinar a pescar e não a dar o peixe. Se fizermos algo para o bem de alguém, com a melhor das intenções e no fim isso não ensinar a pessoa a desenvolver-se e a “safar-se” sozinha, então algo não está bem.
Todos os bons ensinamentos e práticas estimulam a sabedoria, independência e crescimento espiritual.
Temos sempre alguma responsabilidade no que transmitimos. Se respeitarmos algumas regras, corremos menos riscos que o conhecimento que a pessoa recebeu, seja desvirtuado. Assim:
- Ensinar o melhor que soubemos
- Respeitar as recomendações de quem nos ensinou
- “Ouvirmos” a pessoa para saber o que é que na realidade podemos fazer.
Outra pergunta importante é se devemos ou não utilizá-los. Cada um deve fazer esta pergunta a si próprio. A grande verdade é que eles são ferramentas, mas são bengalas, retiram-nos força e principalmente retiram-nos a capacidade de lidarmos com os problemas na sua ausência. Temos sempre que nos lembrar que a Independência é fundamental. A sua utilização deve ser reduzida ao mínimo essencial e devemos ter sempre em mente a pergunta: “Quanto é que estou dependente deste amuleto?”
Tendo em conta todos estes problemas, afinal para o que é que podem ser utilizados? Principalmente para protecção. Não para uma protecção física, mas antes para uma protecção espiritual. Não para todos os momentos da nossa vida, mas para situações extremas, de verdadeira necessidade.
Criá-los é a parte mais fácil e mais difícil. Qualquer coisa pode ser utilizada para servir de amuleto. Claro que existem símbolos e materiais com mais poder natural, mas no final, apenas o que interessa é a intensidade da vontade e da concentração do seu criador. É importante definir-se o objectivo do amuleto e dar-lhe energia. São estes dois passos que determinam se é um amuleto de luz ou de escuridão. Toda a qualidade da energia que uma pessoa possui no momento da criação fica impregnada no amuleto. Também é da própria energia do criador que surge o poder do talismã. Chegamos assim ao ponto da vida de um amuleto. (1) Criação, (2) Uso, (3) Manutenção, (4) Uso, (5) Deformação / extinção. A criação é um momento importante, mas o uso e a manutenção determinam a longo prazo a sua qualidade, podendo provocar uma deformação na sua energia e a sua eventual extinção.
Para a explicação se tornar completa, temos que introduzir os termos da Filosofia Rosacruz. As energias com que lidamos são a etérica (Região Etérica do Mundo Físico), a de desejos (Mundo do Desejo) e a do pensamento (Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento).
Cada coisa que existe, tem uma representação energética nos diferentes mundos. Assim, na criação de um amuleto, juntamos determinada quantidade de energia etérica, de desejos e de pensamento. A etérica é a que dá vitalidade, a de desejos determina emoções e é a que habitualmente se chama de “energia”. A de pensamento determina a sua consistência, permanência e o seu objectivo.
É a energia de pensamento que se chama de pensamento-forma e é como se fosse um molde. Este molde pode estar vivo ou morto e pode estar vazio ou cheio de energia. A vida do pensamento-forma depende do alimento de energia mental, o vazio depende depende também da energia dos outros planos.
O momento da criação (1) determina a sua orientação, o seu objectivo, as forças a que está ligado, … através da criação da contraparte energética. Dá-se a criação do pensamento-forma e é a contraparte energética que torna o amuleto “vivo”.
O uso (2,4) é o conjunto de momentos em que não se está a criar ou a fazer a manutenção. É um conjunto tão largo de momentos, porque a contraparte energética quando não se está a aumentar a sua energia, está a diminuir de energia. Cada coisa energética criada, difunde a sua energia e consoante a sua capacidade de fazer fluir a energia, esta esvai-se mais ou menos depressa. O que determina quanto tempo demora até ficar sem energia é a quantidade de energia que tem, a consistência do “molde” e a velocidade com que a energia difunde ou é retirada.
É importante que se perceba que cada utilização de um amuleto retira-lhe energia (normalmente energia positiva) e dá-lhe energia que a pessoa que utiliza tem (normalmente energia negativa). Isto mostra a importância da manutenção do amuleto, porque sem a manutenção, em pouco tempo, o amuleto fica carregado negativamente e torna-se numa fonte de energia negativa.
A manutenção (3) é um momento tão solene como a criação, porque a saúde do amuleto depende da sua correcta manutenção. A manutenção deve ser eficaz o suficiente para fazer com que o amuleto fique com mais energia do que tinha no momento da criação e com mais pureza energética para cumprir o seu objectivo.
A deformação ou extinção (5) de um amuleto acontece com o mau rácio entre uso e manutenção. Acontece quando o uso descuidado não foi contrabalançado com uma correcta manutenção ou quando um determinado uso tão intenso que destruiu a sua contraparte energética. Também ocorre a destruição ou extinção da contraparte energética quando não se usa e não se faz a manutenção durante muito tempo, ou seja, quando fica esquecido.
Um amuleto é como uma cidade. Nasce de uma determinada forma. As pessoas vivem nela e utilizam os seus recursos que vão diminuindo. Se as pessoas fizerem uma correcta manutenção a cidade pode manter-se limpa, clara e cheia de luz, recursos e inclusivamente crescer. Se os habitantes fizerem mau uso da cidade, ela degrada-se e fica em mau estado. Se a cidade ficar deserta, acaba por desaparecer devido aos efeitos climatéricos, tal como as cidades das antigas sociedades.
É sempre importante lembrarem-se do início. Agora que sabem mais um pouco, têm mais responsabilidade sobre o que fazem. Tenham sempre o ideal do amor e da serenidade em mente e evitem a todo o custo os momentos impulsivos. Normalmente são esses que pesam na nossa consciência.
Sigam a vossa intuição e na dúvida, não façam.
Que a sabedoria esteja convosco.
--------------------------------
Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel