Por isso considero importante termos consciência que a nossa conduta sexual pode agilizar ou retardar o nosso caminho de evolução. Neste sentido, creio que importa efectuarmos algumas reflexões relativamente aos seguintes aspectos:
1. A Origem da sexualidade: inicialmente éramos seres hermafroditas e para lá voltaremos a caminhar pelo que a sexualidade foi necessária surgir temporariamente como é explicado nestes extractos do capítulo 6 do Livro Ensinamentos de um iniciado:
“Quando a humanidade vivia em estado livre de pecado, a tristeza, a dor e a morte eram desconhecidas. O tentador pessoal da Cristandade não é um mito. Podemos seguramente dizer que os espíritos Lucíferos são anjos caídos, e a tentação que exercem no homem resultou na focalização da consciência deste na fase material da existência, onde está sob a lei da decrepitude e da morte.
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Quando obtivemos nossos corpos vitais na Época Hiperbórea, o Sol, a Lua e a Terra ainda estavam unidas e as forças solares-lunares permeavam cada ser em proporção igual, de maneira que todos eram capazes de perpetuar sua espécie através de brotos e esporos como fazem certas plantas atuais. Os esforços do corpo vital para suavizar o veículo denso e conservá-lo vivo, em nada interferia nele, e estes corpos primitivos, semelhantes à planta, viveram por muitas eras. O homem era, então, inconsciente e estacionário como uma planta; não fazia nenhum esforço, nem se empenhava nisso. O acréscimo de um corpo de desejos forneceu incentivo e desejo, e a consciência resultou da luta entre o corpo vital que constrói, e o corpo de desejos que destrói o corpo denso.
Assim, a dissolução tornou-se apenas uma questão de tempo, principalmente porque a energia construtiva do corpo vital foi também dividida, sendo que uma parte ou pólo foi usada nas funções vitais do corpo e a outra serviu para substituir o veículo destruído pela morte. Mas, como os dois pólos de um ímã ou dínamo são requisitos para a manifestação, assim também dois seres unissexuais tornaram-se necessários para a geração. Dessa forma, o matrimônio e o nascimento foram necessariamente instituídos para compensar o efeito da morte. A morte, então, é o preço que pagamos pela consciência no mundo atual. O matrimônio e os repetidos nascimentos são nossas armas contra a morte, até que nossa constituição mude e nós sejamos como os anjos.
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Porém, considerando o matrimônio sob outro ponto de vista, como uma união de almas mais do que uma união de sexos, entramos em contato com o maravilhoso mistério do amor. Naturalmente, a união dos sexos pode servir para perpetuar a raça, mas o verdadeiro matrimônio é também um companheirismo de almas que, de modo geral, transcende o sexo. Aqueles que realmente alcançam este sublime plano de intimidade espiritual, alegremente entregam seus corpos como sacrifícios vivos no altar do Amor ao não nascido, permitindo que o espírito que vai renascer, habite um corpo imaculadamente concebido. Deste modo, a humanidade poderá ser salva do reinado da morte.
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O matrimônio tornou-se necessário para que o nascimento pudesse proporcionar novos instrumentos para substituir os que foram desfeitos pela morte. Quando a morte for absorvida pela imortalidade e não houver necessidade de novos instrumentos, o matrimônio será, em conseqüência, desnecessário.
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Isto é facilmente compreendido, quando consideramos a ação suave do corpo vital em contraste com o do corpo de desejos num acesso de raiva, quando se diz que um homem "perdeu o auto-controle". Sob tais condições, os músculos tornam-se tensos e a energia nervosa é gasta em grau suicida, de maneira que, depois de tal explosão., o corpo pode ficar prostrado por várias semanas. Um trabalho, por mais árduo que seja, não traz a fadiga proporcionada por um acesso de cólera. Do mesmo modo, uma criança concebida sob paixão, sob as tendências cristalizantes da natureza do desejo terá, certamente, uma existência curta.
As tendências construtivas do corpo vital, que é o veículo do amor, não são tão facilmente consideradas, porém, essa observação prova que a satisfação prolonga a vida daquele que cultiva esta qualidade, e podemos seguramente pensar que uma criança concebida em condições de harmonia e amor, terá uma melhor oportunidade de vida do que aquela concebida sob sentimentos de raiva, paixão e até embriaguez.
… Finalmente, chegará o dia em que os corpos serão feitos com tal perfeição em sua pureza etérica, que perdurarão do começo ao fim da próxima Era, tornando assim supérfluo o matrimônio.
Percebemos por esta explicação a importância da conduta sexual pelo que seria importante investigarmos interiormente as seguintes questões para podermos iniciar eventuais correcções na nossa conduta:
2. O que nos leva a sentir desejos e necessidades sexuais? (pertencentes à 1ª região do mundo de desejos)
– Carências afectivas que só se sentem preenchidas pelo acto da sedução, pelo acto da conquista, pela libertação frequente de sémen? Será uma forma de preencher a sensação de vazio e uma insatisfação permanente? Há pessoas que só pelo acto sexual se conseguem sentir verdadeiramente amadas e desejadas e não entendem que por vezes há trocas de olhares e toques intensos tão para além do físico que podem trazer tanta ou mais preenchimento do que um acto sexual. É importante alertar que “A perversão sexual, ou erotomania, comprova a afirmação dos ocultistas de que uma parte da força sexual constrói o cérebro: O erotómano converte-se em idiota, incapaz de pensar, porque exterioriza não somente a parte negativa ou positiva da força sexual (seja homem ou mulher), empregada normalmente pelos órgãos sexuais para a geração, mas exterioriza também parte da força que, dirigida ao cérebro, organizá-lo-ía e tornaria apto a pensar. Daí, as deficiências mentais que apresenta.” .”(extracto livro o conceito)
– Forma de exercício de poder? Forma de exercer a masculinidade ou feminilidade.
– Para libertar tensões do dia a dia?
– Como prolongamento de uma amor sentido entre 2 pessoas?
– Maior apelo e aceitação social do sexo: é assustador os meios disponíveis para encontros e eventuais trocas de experiencias sexuais (chats na internet, salas escuras, telefones, centros, etc) sejam a 2 ou mais pessoas, sejam com trocas de casais. Recentemente um amigo mostrou-me alguns dos chats e às 20h de um dia de semana havia dezenas de salas cheias na internet para o convívio. Ao introduzir-me com o meu nome numa sala virtual com 30 pessoas, logo várias começaram a cumprimentar-me querendo logo saber idade o que fazia, etc. Ao fim de 30 segundo já era convidada a “privar” (nome para começar a escrever só com para uma pessoa e não para todas as que estavam na sala). Apercebi-me que uma grande parte dos utilizadores deste chat eram pessoas da classe média, com profissões socialmente aceites (engenheiros, informáticos, estudantes, etc) mas emocionalmente super descompensados. Sabemos que estamos ainda numa época muito materialista e que será pelo sofrimento que eventualmente estas pessoas perceberão que esse não é o caminho que lhes preenche o coração. Daí a importância de cada vez mais pensarmos nestes temas e agir de forma recta.
– Procura da Kundalini: algumas práticas orientais utilizam práticas sexuais e em particular o sexo tântrico com vista a alcançar esta experiência energética e espiritual.
3. Desejo de procriar: aqui pode existir um desejo egoísta de procriação ou um desejo altruísta de conceber com vista a permitir a novos seres manifestarem-se. Idealmente a concepção deveria imaculada, sem paixão tal como é simbolizada pela casta e bela rosa que espalha a sua semente sem paixão e sem se envergonhar. Diz-se que uma nova raça está começar a nascer pelo que mulheres e homens possuidores de pensamentos puros vão despertando e conscientizando-se, cada vez mais, das reivindicações dos que querem nascer. (carta 12 aos Estudantes). Adicionalmente Max Heindel alerta no livro o conceito que “No estado actual da evolução humana, a função sexual é o meio pelo qual são formados os corpos usados pelo espírito para obter experiência. Geralmente, as pessoas mais prolíficas e que seguem os impulsos geradores sem reserva, são de categoria inferior. As entidades em via de renascimento dificilmente encontram ambientes que permitam desenvolver suas faculdades de forma a beneficiarem-se e a beneficiarem a humanidade. Muitas pessoas das classes ricas poderiam oferecer condições mais favoráveis, mas em geral têm poucos filhos ou nenhum. Não porque vivam uma vida sexualmente de abstenção, mas por razões completamente egoístas, para maior comodidade e para poderem entregar-se à paixão sexual ilimitadamente, sem arcar com as dificuldades da família. Entre as classes médias, as famílias também são limitadas, mas nestas as razões são predominantemente económicas. Procuram educar um ou dois filhos, dando-lhes vantagens que não poderiam proporcionar-lhes se tivessem quatro ou cinco. Dessa maneira anormal, o homem exercita a prerrogativa divina de produzir a desordem na Natureza. Os Egos a ponto de renascer têm de aproveitar-se das oportunidades que se apresentam, às vezes sob condições desfavoráveis. Outros que não podem renascer nessas circunstâncias, esperam até apresentar-se ocasião mais favorável. Através dos nossos actos afectamo-nos uns aos outros e, deste modo, os pecados dos pais caem sobre os filhos, porque assim como o Espírito Santo é a energia criadora da Natureza, a energia sexual é seu reflexo no homem. O mau uso ou abuso desse poder é um pecado que não se pode perdoar; deve expiar-se, com prejuízo da eficiência dos veículos, a fim de aprendermos que a força criadora é santa…Contemplando o assunto à luz do precedente, do ponto de vista da ciência oculta, as pessoas de corpo e mente saudáveis têm o dever, e ao mesmo tempo o privilégio (que deve ser exercitado com gratidão pela oportunidade) de criar veículos para as entidades, tanto quanto seja compatível com a saúde e com a capacidade de assistência. Com indicamos, os aspirantes à vida superior têm especialmente essa obrigação, porque a purificação produzida em seus corpos qualifica-os, mais do que a humanidade comum, para gerar veículos puros. Assim procedendo concedem veículos apropriados a entidades elevadas. Ao facilitarem a esses Egos oportunidades de renascerem e exercerem sua necessária influência, ajudam à humanidade.”
Perante a importância da presença do amor num acto sexual e do potencial energético que esta união pode ter, lembrei-me de partilhar convosco o seguinte texto de S. Paulo, 1 Coríntios 13 que considero um grande desafio de reflexão interior quando pensamos que amamos e falamos de amor e que nos pode proteger de muitos equívocos:
“O amor é paciente e prestável,
não é invejoso, arrogante ou orgulhoso,
nada faz de inconveniente
nem busca o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda o ressentimento.
O amor não se alegra com a injustiça,
Mas rejubila com a verdade
O amor tudo desculpa,
Tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais passará.
Há três coisas que recebemos:
A fé, a esperança e o amor,
A maior de todas é o amor. “
4. O que nos leva a não sentir grande apetência por actos sexuais?
– Questões culturais e de educação que nos leva a sentir pudor, repulsa por estes actos?
– Incompatibilidade energética com o parceiro
– Disfunções e/ou bloqueios energéticos no 2º chacra que impedem uma vivência sexual plena e saudável
– Necessidade de abstinência após uma separação: a convicção de que se trata de um período de interiorização muito importante e que não dever ser preenchido com “distracções” emocionais que nos levarão a distorcer o exercício de auto análise e definição dos aspectos que devem ser melhorados interiormente.
– Vida espiritualmente elevada onde foram realizados votos de castidade. “Se a pessoa se dedica a pensamentos espirituais, a tendência para empregar a força sexual na propagação é muito pequena. Qualquer parte dela que não use pode ser transformada em força espiritual. Por esta razão, em certo grau de desenvolvimento, o Iniciado faz o voto de celibato. Os aspirantes à vida superior, ansiosos por viver uma nobre vida espiritual, muitas vezes olham a função sexual com horror, por causa das misérias que o seu abuso tem trazido à humanidade. Nem querem ver o que consideram uma impureza, esquecendo-se de que homens como eles (que deram boas condições aos seus veículos por meio de alimentação apropriada e saudável, de elevados e bondosos pensamentos e de vida espiritual) são, precisamente, os que estão em melhores condições para gerar corpos densos apropriados às necessidades de desenvolvimento das entidades que os esperam para renascer. Todos os ocultistas sabem que, actualmente, muitos Egos elevados não podem renascer, em prejuízo da raça, por não encontrarem pais suficientemente puros para proporcionar-lhes os veículos físicos convenientes.”(extracto livro o conceito)
– O que nos leva a ter interesses homossexuais? Distúrbios energéticos, medo do sexo oposto, fragilidade emocional, etc
5. Quais os riscos da masturbação? A estupidificação porque energeticamente trata-se de um acto muito intenso.” A ciência oculta afirma que a função sexual nunca deve ser exercida para gratificar os sentidos, mas somente para a propagação”.
6. Monogamia? Não se praticando a castidade só a monogamia é considerada moralmente aceite pela filosofia rosacruz. Não devemos julgar quem pratica a poligamia, mas pelas leis universais e na natureza percebemos que os danos no espírito podem ser elevados.
Todas estas questões evidenciam a importância de uma auto análise para que possamos nos conhecer melhor e definirmos sem conflitos o que desejamos para a nossa vida pessoal e conjugal. Adicionalmente ajudam-nos igualmente a poder enquadrar junto dos adolescentes as questões sexuais face às aspirações espirituais. A sociedade moderna está bem apetrechada para ensinar sexologia aos jovens, mas não lhe explica as consequências emocionais de uma vida sexualmente com poucas regras, com poucos limites e onde as experiências sexuais não são vividas como actos de amor, mas como actos de satisfação de curiosidade, de mera satisfação física, do prazer pelo prazer, etc.
Para terminar recorro a mais um extracto do livro o conceito:
“A função sexual tem seu lugar na economia do mundo. Quando empregada devidamente, fornece corpos, fortes e cheios de saúde que o homem necessita para o seu desenvolvimento. Não há maior bênção para o Ego. Quando, inversamente, dela se abusa, não há maior desgraça, converte-se num manancial de todos os males, a verdadeira herança da carne… Ninguém tem o direito de procurar a vida superior sem ter cumprido antes seus deveres para com a família, o país e a raça humana. Deixar tudo de lado, egoisticamente, e viver unicamente para o próprio desenvolvimento espiritual é tão repreensível como desinteressar-se absolutamente pela vida espiritual. Antes, é ainda pior. Quem cumpre seus deveres na vida ordinária da melhor maneira que pode, dedicando-se ao bem-estar dos que de si dependem, está cultivando a faculdade fundamental, o dever. E, certamente, avançará tanto que despertará à chamada da vida superior. Apoiado no dever anteriormente cumprido, encontrará grande auxílio nesse trabalho. O homem que deliberadamente volta as costas aos deveres actuais para dedicar-se à vida espiritual, com certeza será coagido a voltar ao caminho do dever, do qual se afastou equivocadamente. Não poderá escapar sem que tenha aprendido a lição.”
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel