Um tema comum que nos persegue quase todos os dias. A
mudança de título de “a capacidade de dizer não” para “o Poder da palavra não”,
aconteceu porque quando comecei a pesquisar percebi que a palavra “não” tem
muito mais para sabermos do que apenas saber dizê-la.
- Latim SIC, “assim”. Estranhamente, não existia “sim” nesse idioma. Para responder afirmativamente, ou eles repetiam a frase interrogativa ou diziam “assim”.
- Latim NON, “não”, do Indo-Europeu NE, “não”. Mudou pouco em milhares de anos.
Definição no dicionário:
“Não: advérbio. Partícula negativa à oposta afirmativa sim.”
Quando fiz a pesquisa etimológica da palavra, esta não foi
muito esclarecedora pois todos nós sabemos o que quer dizer “não” e que essa
palavra tem uma conotação negativa, de recusa ou de negação. Mas achei
interessante que contrariamente à palavra “sim”, “não” sempre existiu e que se
manteve quase inalterado ao longo de todos estes séculos (por isso já deveríamos
estar mais confortáveis com ela).
A capacidade
de dizer não
Acho que a capacidade de dizer não, é um tema sensível a
muitos (pelo menos a mim, é), porque não somos capazes de o fazer, ou porque se
o fazemos a nossa consciência fica pesada e a pensar o que outro achou da nossa
decisão.
Durante a minha pesquisa sobre este assunto encontrei uma frase que, na minha
opinião, ilustra muito bem esta situação:
”Dependendo do grau de submissão que sentimos em relação à opinião dos
outros sobre nós mesmos, percebemos maior ou menor dificuldade em dizer
não.”
Esta frase demonstra
que o maior entrave à nossa capacidade de dizer não, somos nós próprios, a
nossa baixa autoestima, eu diria até alguma falta de autoconfiança.
Relembrando um pouco
o texto do mês passado eu penso que esta questão está também interligada, pois
ao dizer “não” a nossa atitude por ser vista com egoísta, mas se dissermos
sempre “sim” a tudo, deixamos de ser altruístas, e fazemos as coisas para não
querer ter chatices com os outros.
Um bom exemplo disso é a luta constante entre pais e filhos, em que muitas
vezes (e cada vez mais) o pai acaba sempre por ceder e o filho vai crescendo
com uma sensação de força e poder sobre eles. Essa criança vai um dia ser
adulta e vai ter muita dificuldade em ser contrariada e de ouvir “não”.
A capacidade de ouvir “não”
É algo, como eu
referi acima que começa desde cedo, faz parte da educação de cada um.
Li um artigo num
blog
que falava sobre uma criança com
necessidades especiais ter aversão à palavra “não” e ficar muito agressiva
quando contrariada. Reação aparentemente causada por uma experiência negativa
que teve anteriormente em casa. Neste caso a culpa não é da criança, mas sim
dos pais que não souberam lidar com a situação e dizer “não” de uma maneira mais
subtil.
Há pessoas mais “bem
resolvidas” que conseguem aceitar críticas e utilizá-las para o próprio
crescimento pessoal, mas existem pessoas que necessitam ainda de trabalhar para
desenvolver essa capacidade, que na minha opinião começa em nós próprios.
A capacidade de dizer não a nós
próprios: Autodisciplina
Não é porque nos
tornamos adultos que a educação tem que acabar. Deixamos de ser educados pelos
nossos pais para passarmos a educar-nos, a autodisciplinarmo-nos, e para isso é
preciso termos a capacidade de dizer não a nós próprios, de dizermos não ao
comodismo, à preguiça, à saída mais fácil. Contrariar essa nossa parte fará de
nós pessoas mais “bem resolvidas” e capacitadas de aceitar um “não” vindo de
outros.
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel