Decidi não abrir nenhum livro nem
consultar nenhum dicionário, mas apenas escrever livremente sobre algo que é
muito íntimo para mim, partilhando assim como vivo esta faceta na minha vida.
Não me recordo de quando comecei
a orar, mas acredito ter sido algo automático por ver uma das minhas avós,
ajoelhada em frente a uma cómoda, todas as noites em que eu dormia em sua casa.
Também acredito que a grande maioria das vezes eu nem soubesse dizer correctamente
a oração do “Pai-nosso” e que no meio de receios mais apertados eu a começasse
por cantar internamente para me acalmar a mente e o corpo.
Mas há medida que ia crescendo e
fui procurando leituras sobre vários temas, ia tendo conhecimento da Filosofia
Rosacruz, e algumas práticas meditativas se adensaram, a oração começou a ter
diferentes significados na minha vida.
Tudo me foi enriquecendo, mas posso
dizer que nos últimos 3 anos, tenho vivido a oração com outro entendimento e
sobretudo como uma experiência de elevado significado para mim.
Antes desta altura, e mantendo a
mesma reverência perante as palavras e seus significados, a oração para mim era
sentida e destinada a desejar algo de bom para alguém ou para mim própria. Pedia
para encontrar força e luz em momentos mais sombrios ou pedia força e luz para
alguém que passava dificuldades, ou mesmo desejos mais universais que todos
sentimos e conhecemos.
Mas de há 3 anos para cá, com
crises de fé, e crises sem nome, com a pressão quotidiana cada vez maior, e que
me deixa pouca disponibilidade para me manter perto de quem gosto, e até de estar
comigo mesma, a oração passou a ser uma espécie de ponte. Ponte para me unir a
mim própria, ponte para chegar até aos “meus”, ponte para agradecer tudo o que
há de bom na vida, e para me ligar ao mais sagrado da existência.
São agora palavras mais sentidas e
reais e servem como que uma chave que no meio da confusão trazem
momentaneamente a calma. Pela oração sintonizo-me comigo, com alguém que esteja
distante, ou com quem estou e converso num determinado momento, e com o que há
de mais superior na vida. Acalma as minhas águas quando agitadas, e mantém-me focada
no momento presente.
Foram alguns os passos que me
trouxeram a esta vivência, um deles vivido e acompanhado com alguns de vós, o
percurso e a estadia em Fátima. Também as orações que fui fazendo quando achei
que tinha chegado a algum dos meus limites, ajudaram-me a abrir o coração
quando orei com toda a minha vontade pela minha mudança e pela minha abertura,
pondo todas as minhas células no processo; quando senti necessidade de o fazer
por algumas pessoas, orei também com todo o meu fervor, e senti aquilo que acho
que quem ora com devoção sente, a dádiva de receber no coração o retorno do que
se é capaz de desejar.
Após estas experiências a minha
vida mudou, e mesmo não tendo voltado sempre a sentir a oração desta forma tão
intensa e vivida, sinto-a à mesma com uma presença e clareza. Através da oração
diária, sei que é possível com transparência, humildade e intensidade das
palavras que proferirmos, ir criando em nós próprios, nos outros e em algo uma
força e um amor sem dimensão.
Podemos todos operar grandes
mudanças no mundo e em nós mesmos quando apelamos a toda a nossa força e
vontade, mesmo não sabendo nós com consciência qual o melhor caminho. Acredito
que alguém superior a nós o saiba, e que temos a ajuda para operar
transformações se nos dedicarmos a isso. Resta-me pois desejar-vos boas
orações!
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel