Este
tema já estava escolhido há bastante tempo, por um lado inspirado pela música
principal do espectáculo que o Cirque do Solei apresentou em Portugal o ano
passado, que tem o titulo de Alegria (aqui fica o link para quem a quiser ouvir
http://www.youtube.com/watch?v=y8YjtozRX1o), e que me inspirou muito, pois me
levou a pensar como podemos ser mais alegres e ter mais alegria nas nossas
vidas, pois o objectivo da vida para além da evolução é sermos felizes e também
proporcionar felicidade aos outros!
Por
outro lado também queria escolher um tema novo que pudesse ter uma tónica mais
positiva, dada à conjuntura actual e à tendência inata do povo português para
alguma tristeza e melancolia. E a Primavera é uma estação inspiradora para este
tema!
Bem
sei que nem sempre é fácil manter a alegria em alta e o espírito positivo e que
há circunstâncias e alturas em que é especialmente difícil, mas será que com
toda a informação a que temos acesso na filosofia Rosacruz e sabendo que a
evolução é o propósito da vida e conhecendo as “leis” pelas quais ela se rege,
não deveria de ser mais fácil encarar a vida de forma mais alegre? E de sermos
gratos pelas experiencias e oportunidade que nos são proporcionadas?
Será
que mesmo fora dos períodos mais conturbados conseguimos estar e ser de facto
alegres e gratos pela bênção que é a vida e por esta oportunidade de evolução?
Estamos
a viver as nossas vidas em pleno ou muitas vezes apenas “sobrevivemos” ao dia a
dia e às obrigações e responsabilidades que temos? Claro que estas fazem parte
das nossas vidas, mas ser feliz, alegre e ter sonhos também deveria fazer
parte. E tudo o que fazemos pode e deveria ser feito com alegria, quer sejam
obrigações ou actividades lúdicas. Isso seria o ideal!
Porque
é que é difícil de facto viver com mais alegria e sermos mais felizes, o que
nos impede?
Partilho
convosco algumas conclusões a que cheguei…
Creio
que uma parte se deve a um certo comodismo e à repetição de padrões e crenças
nossas, que vêm de família, religiosas ou da sociedade, de que a vida é
“pesada” e como tal não pode ser vivida de forma mais leve, divertida e alegre.
Talvez nunca questionámos e nunca tivemos a “ousadia” e motivação para
experimentar fazer ou ser diferente. Por trás deste comodismo, em parte, estará
o nosso tão bem conhecido medo do desconhecido ou de se fazer diferente, por
vezes este medo é subtil e nem identificamos que ele existe. Outro factor que
muitas vezes alimenta este comodismo é a pessoa por algum motivo não acreditar
que merece mais e melhor da vida, e por isso não sonha ou estabelece objectivos
que gostaria de alcançar e vai à “luta” por eles.
Muitas
vezes no corre corre do dia a dia não temos a oportunidade de dar 2 passos
atrás e olhar para a nossa vida como um espectador e identificar o que não está
tão bem o que podemos melhorar e o que queremos mudar radicalmente, ouvir o
nosso coração, sentir e perceber o que estamos a sentir e ver se não estamos em
conflito interno em alguma área. E com este processo irmo-nos conhecendo melhor.
E depois atrevermo-nos e por vezes “obrigarmo-nos” a introduzir mudanças e
sermos diferentes, cada vez mais nós próprios e genuínos.
O
facto de seguirmos e conhecermos a filosofia Rosacruz, e se para além de a
percebermos racionalmente a seguirmos de coração, sentirmos que faz sentido,
deveríamos de conseguir viver de forma mais alegre, feliz e gratos, pois viver
segundo esta filosofia não é incompatível com o termos e procurarmos uma vida cada
vez mais feliz e alegre, antes pelo contrário no meu ponto de vista. No capítulo
do Primeiro céu, do Conceito, é dito o seguinte “… viveremos de novo toda a
alegria de bem agir, sentiremos toda a gratidão emitida por aquele a quem
ajudámos.” “A importância de apreciar os favores que nos têm sido feitos; a
gratidão produz crescimento anímico.”
Se
no primeiro céu iremos viver toda a alegria de bem agir e toda a gratidão
porque não começar a vive-la e senti-la já?
Bem
sabemos que tudo o que fazemos e pensamos está imbuído de energia e esta passa
e é percepcionada pelos outros, mesmo que inconscientemente, assim sendo é
muito importante estarmos e sentirmo-nos bem genuinamente (não adianta
disfarçar), principalmente se queremos “estar ao serviço”, também vem escrito
no capitulo do Primeiro Céu, do Conceito “ Quando dou alguma coisa, dou-me eu
mesmo”. “Um olhar carinhoso, expressões de confiança, a simpatia, a ajuda
benévola, são coisas que todos podem dar, seja qual for a sua fortuna.”
Então
será melhor darmos o melhor de nós!
Por
tudo isto já pus desde o ano passado em pratica o seguinte exercício, o tentar fazer
tudo no meu dia a dia com maior alegria e contentamento possível, estando o
mais focada possível em cada tarefa que tenho que desempenhar, no fundo é o
conceito de viver o momento presente, e perceber e sentir como posso fazer de
maneira diferente ou melhor, se gosto ou não gosto da maneira como estou a
fazer, se estou em esforço ou não e perceber como posso alterar e puxar pela
criatividade para alterar e melhorar e tornar as tarefas menos pesadas e mais
prazerosas. E respeitar-me, não fazer só porque “é suposto” ou os outros
esperam isso de mim, se isso me é prejudicial ou sinto em consciência que não é
o melhor a fazer ou não o é naquele momento ou daquela maneira. (isto não é um
apelo à rebelião, porque no meu caso concreto, a minha tendência é a contraria,
e é uma forma de chegar ao equilíbrio e saber/aprender a dizer também “não”)
Se
tivermos mais prazer nas coisas que fizermos teremos sentimentos e pensamentos
mais positivos e o nosso estado de espírito terá uma repercussão muito positiva
à nossa volta, pois servimos de melhor exemplo para os outros e a nossa energia
tem um impacto mais positivo nos outros, para além do facto que se esgotasse
menos depressa, principalmente se não cedermos à energia da queixa.
O
grande desafio que deixo é o pensarmos em maneiras de ter mais alegria na nossa
vida e encontrar fontes de alegria que já existem mas que não estamos a
reconhecer, e redescobrir fontes antigas que deixámos de lado por algum motivo.
Atrevermo-nos
a conhecermo-nos melhor a nós próprios, a experimentar coisas novas ou a fazer
as antigas de maneira diferente, e tentarmos ser e sentirmos diferente, sermos
mais genuínos.
Sentir
o coração, fazer também de acordo com o ele nos diz e não deixar que a mente muitas
vezes o “atropele” com a sua inflexibilidade.
Ser
gratos pelas coisas boas que temos e das oportunidades que criámos e que
podemos criar e as que nos são dadas para evoluir.
Eu
acredito que a nossa essência e a da nossa alma são amor, paz, alegria e luz,
pelo que são características inatadas, estão é por vezes entorpecidas pela
experiencia da matéria!
E
para terminar fica aqui o início de uma música, escrita por Vinicius de Moraes,
que também é muito inspirador…
É melhor ser alegre
que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel