Este é um tema que nos dá “pano para mangas” e por isso,
tentámos fazer um bom resumo dos pontos principais. É óbvio que vai introduzir
muita informação, mas é preciso que respirem fundo, porque com o tempo
aprendemos tudo e esclarecemos todas as dúvidas, que de certeza que iram
surgir. Como nota inicial, energia sexual e energia criadora, são tratados como
sinónimos.
Para iniciarmos um tema tão importante para toda a
humanidade como o sexo, é importante falarmos primeiro sobre a sua origem.
Segundo a nossa tradição, o caminho que a humanidade
percorreu e percorrerá durante muito tempo, divide-se em involução e evolução.
A involução é o período que decorreu até adquirirmos a consciência da nossa
individualidade e a evolução é o período que decorre desde essa aquisição até
ao desenvolvimento de todas as nossas faculdades, altura em que seremos
Homens-Deuses.
Para facilitar, o estágio em que estamos agora é um estágio
mais ou menos a meio do nosso caminho. Temos atrás de nós períodos em que fomos
“semelhantes” aos minerais, plantas e animais. E temos pela frente, períodos em
que seremos “semelhantes” aos anjos, arcanjos e aos senhores da mente.
No início e no fim, seremos assexuais, seremos criadores
independentes.
No nosso caminho para adquirirmos consciência da nossa
individualidade, foi necessário trabalhar arduamente para construirmos os
corpos que hoje temos e muito trabalho foi dedicado no seu aperfeiçoamento. Nem
todos os corpos foram “dados” ao homem ao mesmo tempo. Assim, os corpos foram
sofrendo actualizações ao longo do tempo. Uma dessas actualizações, foi o
desenvolvimento do cérebro físico. Para a construção do cérebro físico, foi
necessário dividirmos a energia criadora. Assim, a energia criadora foi
dividida e metade foi para cima para a construção do cérebro e da laringe e
metade manteve-se em baixo para a propagação da espécie. O cérebro é
fundamental para podermos pensar e a laringe para comunicarmos. Nesta aventura,
o sexo feminino apareceu primeiro que o masculino.
Antes da divisão desta energia criadora, todos nós podíamos
facilmente dar origem a novos corpos. Tínhamos o poder de criar em nós
próprios, assim como têm algumas flores. E tal como as flores, a reprodução era
pura e sem paixão. Depois da divisão da força criadora, o acto reprodutivo
manteve-se sem paixão durante algum tempo. A humanidade era guiada pelos anjos
e arcanjos e encontravam-se em algumas alturas específicas do ano, quando os
astros favoreciam. Eram também guiados para templos, onde o acto era visto como
algo sagrado. Com tantos cuidados que existiam, a mulher não tinha qualquer dor
de parto, não havia doenças nem sofrimentos.
Depois, temos a história de Lúcifer, aquele que nos
iluminou. Porque é que dizemos que nos iluminou e não que é a encarnação de todo
o mal? Porque antes da intervenção dele, nós éramos como cordeiros que
seguíamos as ordens que nos eram dadas pelos nossos pastores, os anjos. Ele,
ensinando-nos que podíamos fazer novos corpos sem estarmos dependentes dos
anjos, trouxe-nos mais fundo, onde conhecemos a doença e o sofrimento, mas
trouxe-nos algo que não teria sido conseguido de outra forma, a consciência do
nosso corpo, o desabrochar da nossa consciência que possuímos hoje em dia.
Assim, dizemos que ele nos trouxe a luz.
Chegamos então ao momento actual da nossa evolução, em que
temos uma sociedade em que quase tudo se vende com sexo ou algo indirectamente
ligado, como uma moça magrinha, vestida ou despida a anunciar uma nova forma de
se limpar o pó.
É importante uma transmissão clara sobre este tema, pois
muita controvérsia já existe, ideias mal entendidas e temos por detrás de nós a
força castradora da igreja.
O que é a actividade sexual? O que é que acontece durante? E
depois? Como podemos fazer? Quantas vezes? Com quem? E a masturbação? E a
homossexualidade? E a contracepção? Como é que está relacionada com a nossa
evolução espiritual? E afinal, qual é a solução para tão importante aspecto da
nossa vida?
A actividade sexual, quer quem o pratique, saiba ou não, é
sagrada. Tudo o que está ligado a ela é sagrado, independentemente da forma que
se pratique. É muito mais profundo do que as pessoas em geral admitem.
O que acontece durante o acto, é a ligação das energias mais
profundas que o homem e a mulher têm à sua disposição. A energia cresce
exponencialmente até ao êxtase final. E cada vez que acontece, é libertada uma
enorme quantidade da nossa energia mais profunda, da nossa energia criadora,
independentemente se é para procriar ou por puro prazer.
Esta energia libertada, consoante a envolvente que tome,
atrai seres. Se for ligada à paixão e à satisfação da carne, atrai espíritos e
elementais ligados a essas emoções, que sugam essa energia e deixam os dois
cansados e exaustos. Quanto mais positivas as emoções sentidas forem, mais positivos
são os seres que se atraem, mas emoções positivas são aquelas ligadas ao que
gostamos de chamar de amor altruísta e não é propriamente esta a emoção
predominante nestas ocasiões. Neste momento, devemos relembrar um dos avisos de
Max Heindel, quando nos diz que a seguir a uma relação sexual, as pessoas
deverão alimentar-se. Gasta-se muita energia vital e torna-se fundamental
repô-la e para isso, a comida tem um papel fundamental.
A forma como se faz, também é de suma importância. Devido à
grande ligação ao prazer e às diferenças entre o homem e a mulher. O homem tem
frequentemente mais desejo e tem de exercer um certo controlo sobre o seu
comportamento, para poder “aproveitar”. Este controlo, exercido mentalmente,
altera completamente a forma como o homem se sente durante o acto. O que afecta
o sexo feminino desta forma, são os medos e preocupações. Tudo isto altera a
forma como se processam as correntes energéticas. Para testarem os valores
destas palavras, pensem: em que momentos as pessoas sentem que correu melhor? Depois
de pensarem muito ou pouco, a grande conclusão é que é nos momentos da mais
ardente paixão, quando as cabeças estão desligadas. Assim, todas as formas que
levem de alguma forma à activação da mente (controlo, medos, …), alteram profundamente
as correntes de energia. O principal local onde esta diferença se dá é ao nível
da espinal medula, a estrutura nervosa que está envolvida pela coluna
vertebral. Quando as pessoas vivem a paixão pura, toda a energia do corpo desce
pela coluna e foca-se nos órgãos sexuais. Quando algum controlo é exercido, a
energia divide-se entre os órgãos sexuais e o cérebro e quanto maior for esta
divisão, mais será a quebra energética na medula e o resultado é doenças e
dores na parte mais fraca da coluna. Esta é uma das grandes razões para tantos
homens sofrerem de problemas lombares. A melhor forma de se fazer, é assim a
forma descontraída. Mas, há muito mais do que a descontracção. Para além da
energia que é libertada, também se dá uma troca de energias entre as duas
pessoas e assim, cada um fica com um “pedaço” energético do outro e por isto,
ficam marcados no coração de formas que as outras pessoas não ficam. Também
existe outro ponto importante, quanto mais frequente a relação, mais marcante e
permanente é essa troca. Assim, estabelece-se uma relação energética, uma ponte
fica criada entre as duas pessoas. Ficam ligadas pelo espaço e pelo tempo.
Existe quem acredite, que algumas doenças, também podem ser transmitidas por
este método e se pensarmos que muitas doenças têm uma causa energética, se a
energia trocada for “contaminada”, isto poderá realmente ter alguma base.
Com tanto que acontece, será ainda importante dizer que com
quem é importante? Quanto mais envolvida por amor estiver a relação, mais
protegidas estão as pessoas. Também é fundamental que exista uma harmonia
energética, que esteja em níveis semelhantes. Se não estiverem, o que acontece
é que uma desce e a outra sobe para onde não está preparada para estar. Aquelas
que todos os dias trocarem de parceiros, estão a desperdiçar tanta energia que
vão pagar seriamente a factura. O maior pagamento é em vidas seguintes, quando
renascerem como atrasados mentais, por terem gasto tanto a sua energia criadora
que “roubaram” também a que tinham no cérebro.
A masturbação é um problema delicado e complicado. O seu uso
é estéril, porque não tem a contraparte energética. Acontece o mesmo,
liberta-se a energia criadora, mas aqui não há trocas, o que acaba por
debilitar mais a pessoa. O grande abuso, várias vezes por dia, provoca nesta
vida ainda, a estupidificação do indivíduo.
A homossexualidade, energeticamente é semelhante à
masturbação, no ponto de vista da esterilidade. A satisfação dos desejos
carnais ligados à esterilidade, torna este tipo de relação bastante negativo do
ponto de vista energético. Amar, amamos qualquer pessoa independente do sexo,
mas a satisfação carnal tem implicações bastante diferentes.
Não nos cabe julgar o que é pior ou o que é menos mau, mas
os seres humanos actuais foram feitos energeticamente, para os dois pólos
estarem juntos e unidos no amor e não de outra forma.
A contracepção é um ponto muito importante, por ser tão
fulcral na vida da nossa sociedade. A população do mundo não é comandada
individualmente por cada um de nós, mas determinada pelas grandes entidades que
nos ajudam na nossa evolução. Em geral, o fluxo de nascimentos diminui no final
das eras, mas o número total de pessoas costuma ser o maior. Mas a grande
pergunta sobrevém, devem os casais gerar quantos filhos? Definitivamente! É
muito importante que cada casal saiba a margem económica que tem, para poder
dar uma boa educação aos seus filhos, para lhes dar boas oportunidades. É uma
questão de bom senso, que por vezes leva as pessoas a terem menos filhos e a
darem-lhes tudo. Tudo não é uma boa educação, nem uma boa oportunidade. É uma
fonte enorme de tentação e de desgraça para o crescimento das crianças, como
tantas vezes vemos os disparates que os filhos das famílias ricas fazem. O
ideal do controlo da natalidade é a abstenção sexual. Mas, é fundamental
sabermos que pregarmos a abstenção sexual à humanidade em geral, é como falar
para um muro. Então, surge a necessidade dos métodos da medicina, como o
preservativo e a pílula, para cada família poder gerir. E como todos sabem, a
beleza disto tudo, é que nenhum método é perfeito e se for mesmo preciso que
algum Ego reencarne, assim acontecerá.
Em relação à nossa evolução, há muito a dizer. Em geral, por
todo o mundo, nos maiores compromissos com a religião, vem sempre à cantiga a
abstinência e a castidade. Porquê? De uma forma muito simples, a força criadora é gasta com a relação sexual,
mas se não for gasta, pode ser utilizada para o desenvolvimento espiritual. A
força criadora pode ser utilizada de 3 formas: para gerar, degenerar e
regenerar. Se for utilizada para conceber, serve para gerar. Se for utilizada
na paixão, na satisfação dos desejos inferiores ou na magia negra, serve para
degenerar. Se pelo contrário, for utilizada para o desenvolvimento espiritual,
servirá para regenerar. Há alguns caminhos que pretendem ascender através do
uso da energia sexual. Porque é que este não é o caminho? Uma das grandes
razões é a dependência. O grande objectivo é sermos capazes de criar
individualmente, sermos completamente independentes e “iluminados” permanente e
individualmente, enquanto os caminhos que utilizam a relação sexual, obviamente
necessitam de outra pessoa. Outro motivo relaciona-se com a necessidade de
pureza para podermos entrar nos mundos espirituais superiores, livres de
desejos inferiores. Assim, a relação sexual ideal serve para oferecer um corpo
a um novo ser reencarnante.
A força criadora é uma das mais poderosas forças que nos
permite criar nos mundos invisíveis. Para podermos ter capacidade criadora,
precisamos de energia criadora. Um ponto interessante para meditarmos é o
porquê de se dizer que aos altos iniciados é um sacrifício juntarem-se para a
concepção de um novo corpo, para que um ser altamente evoluído possa
reencarnar. Se são muito desenvolvidos, sentem como nenhum de nós sente, têm
uma quantidade de energia que nenhum de nós tem, são capazes de amar, como
nenhum de nós é, a energia da sua junção, será absolutamente impressionante,
então, porque é que é um sacrifício para eles? Pelo menos, por duas razões. A
primeira porque gastam imensa energia, tendo que a repor por outros meios. A
segunda, já alguém imaginou o que é sentir como eles sentem, estarem em plena
sintonia, a viverem um amor elevadíssimo, juntarem os corpos e no entanto, não
sentirem nenhum desejo? Nenhuma impureza?
Como é que nos resolvemos no meio desta enorme embrulhada? A
primeira grande nota é que a abstinência não é pedida a ninguém fisicamente.
Nem nas iniciações menores, que se passam nos mundos espirituais, é pedida a
abstinência. Só nas iniciações maiores é pedida e mesmo assim, por vezes, pode
ser necessária a união para permitirem a criação de um corpo altamente
purificado para um ser reencarnante (como no caso de José, Maria e Jesus).
Assim, que ninguém se preocupe, porque a nenhum de nós é exigida tal coisa.
Também é fundamental dizermos que nem na Bíblia, nem espiritualmente, existe
razão para os padres serem obrigados ao voto de castidade. A castidade imposta
por outros ou por nós próprios, leva à loucura. A energia sexual é demasiado
poderosa, para ser simplesmente contida. Grande parte dos casos que sabemos dos
padres que se comportaram terrivelmente, deriva deste facto, da contenção
sexual. Existem ainda outros, em que a sua energia sexual ficou adormecida ou
quase morta. Este também não é o caminho, pois precisamos da energia criadora
bem viva para podermos criar. O caminho para a pureza é pela alteração das
correntes internas, pela elevação da energia sexual e naturalmente, mantendo
toda a energia, a vontade pelo sexo diminuí. Devemos sempre perguntarmo-nos, se
não queremos porque estamos “mortos” por dentro, ou se estamos realmente a
evoluir.
Com esta conversa toda, não estamos a apregoar que vão por
aí experimentar tudo. Devemos ter sempre em mente o elevado ideal de apenas
utilizar a relação sexual para a procriação. Mas, como a contenção, é o pior
dos males, devemos ter relações sexuais conforme a nossa necessidade. É aqui
que alertamos para aqueles que vivem em casal. Ninguém tem de viver como irmão
e irmã. E é um grave crime, uma das partes, exigir a abstinência à outra em
nome da sua evolução. Há obrigações a cumprir. E aquilo com que nos
comprometemos, devemos cumprir. Cada um tem o seu ritmo e as suas necessidades.
Cada um tem também a sua velocidade para crescer e não devemos tentar saltar
degraus da evolução. Cada coisa a seu tempo. É por tudo o que vamos fazendo,
que as nossas necessidades se vão alterando e assim, evoluindo.
O serviço
desinteressado e amoroso ao próximo, esse é o guia para o nosso crescimento.
Mas notavelmente surge a pergunta. Se há um ideal e se não nos podemos forçar,
como é que algum dia chegaremos a esse ideal? Com o tempo, com o serviço que
vão realizando, os nossos desejos inferiores, vão-se alterando, da mesma forma
que quem vai comendo mais peixe que carne, vai deixando de gostar da carne. Não
tenham pressa, porque a pressa pode levar-nos exactamente pelo caminho
contrário que queremos ir, descendo, em vez de subirmos.
E como deve ser a educação das crianças? Dois factos
bastante interessantes que Max Heindel adverte é que as crianças não devem usar
roupa apertada, porque o roçar da roupa leva ao descobrimento dos órgãos
sexuais mais cedo. Mas o mais interessante, é que ele avisa que o castigo
corporal, ou seja, a violência física, conduz exactamente ao mesmo, ao
descobrimento precoce dos órgãos sexuais. E quanto mais cedo for esta
descoberta, pior para o desenvolvimento da criança.
Outro tema importante da nossa sociedade actual é a
controvérsia que se tem vindo a falar de o cromossoma Y estar a diminuir. No
ocultismo, diz-se que o último a vir é o primeiro a ir. Como o sexo feminino
foi o primeiro a aparecer, é o último a desaparecer na nossa subida. Assim, o
sexo masculino vai ser o primeiro a desaparecer. Claro que estas mudanças não
acontecem do dia para a noite, por isso, aos poucos, os homens vão perdendo o
tamanho do seu Y, para mais tarde acontecer o mesmo às mulheres. Lembramos que
nós em geral, reencarnamos uma vez homem e outra mulher, por isso, não é sinal
nenhum de evolução ser homem ou mulher nesta vida.
Resumindo, vivam a vossa vida, satisfaçam o vosso coração
conforme vos faça falta. Lembrem-se sempre que o acto, a união sexual, deve ser
um momento sagrado. Todas as formas, podem ter um serviço na evolução
individual. Se mantiverem os ideais certos no vosso pensamento e se agirem
correctamente, servindo o próximo, inevitavelmente estão a caminhar no sentido
certo, a caminho da libertação. Cristo disse-nos que mais vale um pecador
arrependido que 99 que nunca tenham pecado, mas não pequem tanto que se percam J
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel
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