Quando
pensamos em mudança percebemos que dentro desta definição se encontram um
enorme número de situações, quase constantes no nosso dia a dia, que podem ser
muito díspares entre si e que podem ter um impacto muito diverso na nossa vida,
desde serem quase imperceptíveis até terem um efeito muito marcante.
Independentemente
sobre que área ou áreas da nossa vida ela ocorra podemos fazer uma distinção
entre 2 tipos diferentes de mudança, aquelas pelas quais nós próprios optamos e
que intencionalmente potenciamos; e aquelas que julgamos que nos são de algum
modo impostas, pois não as escolhemos voluntariamente, mas como bem sabemos
tudo na nossa vida tem uma razão de ser.
A
mudança nem sempre é fácil pois vem associada à incerteza, à insegurança no
fundo ao medo do desconhecido e do que é diferente, e estes sentimentos
acompanham tanto as mudanças voluntárias como aquelas com que somos
surpreendidos, e reagimos normalmente com muito mais resistência a estas últimas,
o que dificulta e muito a capacidade de nos adaptarmos à nova situação e o que
acarreta maior sofrimento.
Certas
situações que ocorrem na nossa vida têm como consequência mudanças que podem
ser o resultado do nosso destino maduro, da lei da consequência, ou serem
necessárias para cumprirmos o “trabalho” a que nos propusemos quando decidimos
reencarnar, apesar de algumas serem extremamente difíceis e desafiantes temos
sempre o livre arbítrio de as aceitar, não lhes resistir e escolher como vamos
agir sobre elas. A escolha de como vamos agir em relação à situação que nos é
apresentada nem sempre é fácil, uma vez que, todos nós temos padrões de
comportamento e reacção que se encontram profundamente enraizados e que são
quase automáticos, o que torna muito difícil alterá-los e por conseguinte
requer um esforço consciente e constante para resistir ao padrão e introduzir a
mudança.
Algumas
das situações mais dramáticas que sucedem na nossa vida são precedidas de
alguns “avisos”, que nos são dados através de situações menos graves que nos
vão acontecendo, que trazem consigo um convite à mudança e quando não optamos
por ela, podemos ser confrontados com uma situação que leva quase que
obrigatoriamente à mudança que nos tinha sido solicitada anteriormente pela
vida, mas eventualmente de forma mais penosa. As situações mais radicais
guardam em si mesmas as hipóteses de maiores mudanças, maiores feitos, maiores
conquistas são com estas que vamos mais longe, nos ultrapassamos, crescemos e
evoluímos mais.
Quer
a mudança nos pareça de algum modo “imposta” ou seja uma opção nossa, esta
acarreta sempre em si a hipótese de evoluirmos, de crescermos, de nos
conhecermos melhor a nós próprios. Quando nos desafiamos a nós próprios e
iniciamos ou aceitamos mudanças nas nossas vidas, que conseguimos implementar,
e com as quais crescemos e aprendemos, ganhamos mais confiança em nós próprios
e temos razões para nos orgulharmos de nós mesmos, permito-nos sentir e
perceber que somos mais do que aquilo que pensámos ser, podemos descobrir novos
talentos e há uma expansão da nossa criatividade quando nos temos que adaptar a
novas situações. O que por sua vez nos dá também mais confiança e conhecimento
para enfrentar futuros desafios e mudanças.
No
nosso caminho de evolução espiritual as mudanças são internas, subtis e
progressivas, tendo em conta que é necessária a repetição e a interiorização
para que esta mudança seja gravada no nosso corpo vital. E estas mudanças muitas
vezes não são tão visíveis para exterior ou pelo menos não tão identificáveis,
só nos apercebemos delas quando estamos de novo numa situação idêntica a
situações anteriores e reagimos de forma muito diferente ou verificamos que já
não nos é tão difícil lidar com uma situação daquelas.
A
pergunta que se impõe é se de facto aproveitamos a maior parte das oportunidades
de mudança que a vida nos oferece e se as fazemos da melhor maneira a
evoluirmos espiritualmente, isto é, será que fazemos o correcto uso do poder da
Epigénese que cada um de nós possui?
Creio
que precisamos de facto estar muito atentos aos sinais que a vida nos dá e
ouvirmos o nosso coração e a razão, para podermos identificar as oportunidades
de introduzir mudanças na nossa vida, não resistirmos e de evoluirmos. Quando
estamos tranquilos e atentos e não deixamos que o medo nos domine, podemos por
vezes sentir qual o caminho que devemos seguir, porque nos sentirmos bem,
“sintonizados e alinhados” connosco e com o Universo, algo que muitas vezes é
difícil de conseguir, mas temos que tentar e confiar, pois sabemos que temos
sempre umas “mãos invisíveis” que nos ajudam e guiam.
Independentemente
de nos apercebermos ou não, a mudança é uma constante na nossa vida e no
Universo, tudo e todos estamos em constante mudança e mutação, pois esta é uma
condição inerente à vida e à evolução. E creio que o melhor que podemos fazer é
questionarmo-nos regularmente se somos pró-activos o suficiente em relação à
mudança e se de facto estamos a usar da melhor forma possível o poder da
Epigénese e do livre arbítrio para fazermos face à nossa resistência natural em
relação a ela.
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel