Quando falamos em iniciação, vêem
à nossa cabeça, ideias, imagens de livros que lemos ou frases que ouvimos
algures, e tudo nos parece obscuro, misterioso, e sobretudo algo muito difícil,
e que com toda a certeza não é para nós.
Nós que ainda estamos a dar os
primeiros passos na senda da espiritualidade, que ainda temos dificuldade em
assumirmos que somos seres iminentemente espirituais e criados à imagem de
Deus. Esse mesmo Deus, do qual não conseguimos ter uma imagem, uma ideia
concreta, ou mesmo compreender as suas manifestações.
Um dos conceitos que Max Heindel
nos trouxe de novo, foi que qualquer um de nós pode ser um iniciado. Sim, meus
caros Amigos e Amigas, QUALQUER UM DE NÓS.
Estou a “ver” a vossa cara
desconfiada, como se eu estivesse a brincar com vocês, ou então, o vosso
pensamento imediato “Passou-se!”
Nem uma coisa, nem outra.
Simplesmente, no caminho da evolução como conversámos no último mês, o lógico,
o que vem a seguir é a iniciação.
E o que é a iniciação? Segundo o
dicionário, significa: “acto ou efeito de iniciar; introdução ao conhecimento
de coisas secretas; acção de instruir ou ser instruído nas primeiras noções
sobre uma arte, ciência, prática, etc.”
“Acto ou efeito de iniciar” –
parece demasiado lógico, mas pensem bem, iniciação → início, começo, do quê? O
que é que procuramos? Evolução → progresso. Como evoluímos, como progredimos? Trabalhando.
Sim, mas sobre nós próprios.
Temos que ter muito cuidado com o
que nos “vendem” hoje em dia, a iniciação não pode ser comprada nem oferecida.
É um processo individual, é uma
experiência interna, é uma transformação. Não é um momento em que nos aparece
um ser superior a dizer-nos que somos fantásticos e que a partir daquela data
passamos a ser iniciados. Para que a iniciação aconteça a pessoa tem de servir
a humanidade de uma forma altruísta, dedicar-se ao desenvolvimento espiritual,
e como resultado desenvolve o seu corpo-alma e os seus centros de percepção e
acção. O ser superior ensina essa pessoa a treinar as suas próprias faculdades,
mantendo a sua individualidade e independência.
Nas palavras de Max Heindel: “A Iniciação é um processo
espiritual, e o progresso espiritual não pode ser efectuado por meios físicos
mas somente por exercícios espirituais.”[1]
Isto significa, que ninguém nos pode dar a iniciação,
ninguém nos pode tornar iniciados, só nós próprios, trabalhando sobre os nossos
veículos, o corpo denso, o corpo vital, o corpo de desejos e a mente.
Relativamente ao corpo denso, já vocês todos têm consciência de como tratá-lo da melhor
maneira, tendo em atenção o descanso, a alimentação, a higiene, de acordo com cada um.
Esse bom trato reflecte-se também no corpo vital, e se
queremos realmente o progresso espiritual, temos que ter em conta a repetição dos bons actos.
A disciplina
para o corpo de desejos. Senão conseguirmos disciplinar nas mais pequenas
coisas (no que temos que fazer todos os dias relativamente à nossa casa,
trabalho, família e amigos) não conseguiremos progredir no caminho da evolução.
A mente ao ser direccionada para o conhecimento, deve
concentrar-se de manhã ao acordar no objectivo desse dia, no bem-fazer, no
serviço aos outros, ao terminar o dia, deve meditar sobre as experiências
obtidas, arrepender-se pelo mal feito e congratular-se pelo bem praticado,
antes de adormecer, para que esses resultados possam ser incorporados à
consciência do ego.
Mas o arrependimento do mal feito, deve ser sincero e
sentido no coração, com o firme propósito de não voltarmos a praticá-lo, e
devemos fazê-lo como se estivéssemos no purgatório, sentindo toda a dor que
provocámos ao outro, só assim é que diminuímos a nossa futura permanência no
purgatório quando morrermos. Não chega dizermos a nós próprios, “não devia ter
feito ou dito aquilo, Sr. X ficou magoado.” Temos que sentir na nossa pele o
sofrimento que provocámos no outro e arrependermo-nos sinceramente.
“A menos que efectuemos nossos exercícios de modo a
que vivamos todas as noites nosso inferno, sentindo severamente toda a dor que
infligimos, estes exercícios de nada valerão.”[2]
“Eu não quero, ser um iniciado. Quero viver a minha
vida, o dia-a-dia o melhor possível e isso chega-me.” Certo, todos têm a
liberdade de dizer sim ou não, ou nada. Mas, o conhecimento é irreversível,
hoje não podem dizer que não sabiam o que aprenderam ontem, e como diz o outro,
o desconhecimento da lei não serve de desculpa.
Mas, quando chega aqueles momentos em que estamos sós
connosco próprios, em que sentimos a inutilidade da nossa vida, e nos
interrogamos “o que é que afinal estamos aqui a fazer?”. E a simples menção de
que estamos a evoluir, não nos dá consolo nenhum.
Nesse preciso momento, precisamos de algo que
transforme a nossa vida, que nos leve mais além, que nos projecte para uma nova
etapa do caminho, porque aquele caminho que temos percorrido até aquela data,
já não nos traz nada de novo, é como se teimosamente quiséssemos mantermo-nos
no 4º ano, porque ali sentíamo-nos confortáveis e já sabíamos o que esperar,
controlávamos a situação.
Mas, chega o momento em que temos de sair a nossa zona
de conforto, e continuarmos mais para além, sem medo, com confiança, com a
certeza de que somos capazes, e que queremos trabalhar mais e melhor, e que
estamos prontos para iniciarmos uma nova etapa do caminho da evolução, e com o
nosso exemplo levarmos outros a fazerem o mesmo.
Não pensem que isto irá levar-vos a um caminho de
sofrimento. Lembrem-se, quando vocês estavam a estudar o “a,b,c” e a aprender a
juntar as letras de modo a construírem palavras, e depois frases, nunca pensaram no prazer que hoje têm ao ler
um texto, um livro e, a facilidade com que o fazem. Quando estavam a aprender
não consideravam isso como sofrimento, consideravam como aprendizagem, e, é
isso exactamente que estamos a fazer, mas no plano espiritual.
Estamos e continuamos a nossa aprendizagem!
“Cada um possui uma experiência diferente da iniciação, mas,
em cada caso, é uma experiência interna, e a manifestação externa desta
experiência interna é que transforma toda a vida do homem, em todos os seus
aspectos. … A Iniciação transforma por completo a vida do homem. Dá-lhe
confiança que jamais possuiu. Envolve-o com o manto de autoridade que nunca
ser-lhe-á tirado. Não importam as circunstâncias que se apresentem na sua vida,
ela difunde uma luz sobre todo o seu ser que é simplesmente maravilhosa.”[3]
Não acham que vale a pena todos os sacrifícios?
Não estamos sós, apesar de ser um caminho solitário,
não desesperem, nem desistam, o caminho será leve e fácil, senão resistirmos.
Deixem que o amor e o serviço desinteressado entrem
nos vossos corações e, continuem o caminho da evolução com muita alegria!
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