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Bem-vindo ao nosso Blogue.

É nosso objectivo de uma forma simples organizar alguma informação e dar a conhecer a Filosofia Rosacruz e a possibilidade de a estudar e de a viver.

Sintam-se à vontade para questionar a validade de tudo, pois só o que fizer reflexo em nós, só o que acreditarmos como verdade, é que o devemos aceitar.

Em seguida aparece a última mensagem que foi escrita e no final o Arquivo do Blogue.

Que a Luz esteja convosco.

Dimensões da Fé

O conceito de fé abrange vários domínios da vida humana sendo utilizado em diversos âmbitos de acordo com as normas estabelecidas entre os homens.
São Paulo definiu-a como a “demonstração das coisas que não vemos” o que permite a abertura para duas dimensões: a fé terrena, vivida através da interacção entre os homens e entre estes e o mundo físico que os rodeia, e a fé divina, estabelecida na relação do homem com o mais sagrado e divino.
A fé terrena assume variadas formas, desde o acreditar nos pensamentos e sentimentos de alguém, em alguma filosofia, o ter esperança relativamente à resolução de alguma situação que não conhecemos e que não sentimos com os nossos sentidos, o acreditar na recuperação de uma doença, a esperança de que dias melhores virão, o acreditar em determinadas sensações e sonhos, ou simplesmente a comprovação da autenticidade de algo, quando usada em termos jurídicos.
A fé divina é estabelecida na relação de cada pessoa com algum tipo de crenças ou religião seja ela qual for; reflecte-se como um crer nas verdades proclamadas por determinada doutrina ou religião, bem como na ordem e divindades que as protagonizam. A esfera é de âmbito individual e implica uma confiança e aceitação totais.
Na religião cristã, a fé engloba os ensinamentos transmitidos por Cristo e assenta na confiança e no “acreditar em coisas que se esperam, a convicção de factos que não se vêem, independentemente daquilo que vemos, ou ouvimos”.
Qualquer que seja a dimensão usada, a verdade é que a fé abre caminho a um espaço desconhecido onde a ciência nada consegue demonstrar, onde os cientistas nada conseguem medir e comprovar, onde a mente humana fica despida da sua lógica. Na fé só se entra com o coração aberto pois entra-se no reino místico da confiança sem provas visíveis.
Outros contextos referem ainda a fé como um dom, outros como um acordo intelectual imposto pela vontade, como uma ilusão, ou como uma crença cega que no limite pode prejudicar a liberdade de outrem.

Maturidade da fé
Todos os conceitos e experiências humanas têm tempos de nascimento e maturação dependentes da consciência de cada um e do discernimento que os acompanha. Qualquer tema ou situação vai sendo vivido e testado ao longo da vida até se tornar algo integrado que passa a fazer parte da pessoa. Neste sentido, a fé começa por ser inocente na medida em que a mesma é vivida tendo por base necessidades egoístas e individuais, regida por crenças cegas de que tudo correrá bem para o próprio, e que tudo é bom e perfeito. Na escola e em casa, ensina-se a obediência aos que sendo mais maduros impõem limites e regras que não se questionam, não necessariamente coerentes e sábios.
Mas a fé não é uma obediência cega perante tudo, não se trata de ingenuidade, mas antes de um desabrochar do coração para algo transcendente, o que só poderá ocorrer após um processo de crescimento e entendimento a vários níveis.
A fé adulta pede uma responsabilidade pessoal, um olhar fraterno sobre o mundo, uma profunda aceitação e amor.
Os tempos falaram da fé baseada na magia, na religião de massas, mas agora falam da fé como um despertar da energia interior de cada ser para o divino. Assim, deixa de estar enquadrada e presa a um conjunto de rituais e formalismos, cansada e gasta pelas palavras sem entusiasmo de quem a proclama, para passar a estar mais viva dentro de cada ser humano, podendo ser vivida na plenitude da relação que cada um estabelecer com o mais sagrado, com criatividade, amor e coragem.


Alicerces e profundidade da fé
A fé sendo uma das virtudes do ser humano, baseia-se numa convicção e na confiança sobre a verdade de algo, o que pressupõe na sua complementaridade o seu oposto: a dúvida. No processo de maturidade a dúvida surge sempre, caso contrário não se evoluiria da fé infantil, mas ambas não podem coexistir em simultâneo, ou se duvida ou se tem fé. A dúvida é legitimada pela vivência da vida a qual traz à superfície em diversos momentos os receios mais profundos da alma humana, as inseguranças, as angústias as quais fazem balançar as convicções ou por vezes enraíza-las mais profundamente no íntimo de cada um. As noites escuras da alma são assim os testes que cada ser passa há procura de uma luz externa para a qual por vezes basta saber como aumentar a chama dentro do seu peito, a fé. Neste sentido o amor e a fé entrelaçam-se pois não podem existir um sem o outro: a fé sem amor não é viva nem fértil, e o amor sem fé não é incondicional.
A procura da verdade e o viver em verdade de acordo com determinada crença pressupõe coragem, coragem para com o exterior e para com o interior, para assumir a escolha, pois só assim se poderá viver em integridade.

A fé à luz dos ensinamentos Rosacruzes
Nos ensinamentos a fé antecede o despertar do Cristo interno de cada um, através do caminho da oração e do serviço desinteressado aos outros, não deixando cada ser de conservar as suas posses materiais que lhe foram confiadas e consideradas sagradas.
Constata-se a separação entre uma fé indiferente, praticada amplamente pela maioria, condicionada pela mente que traz como vantagem o equilíbrio mental e coragem quando necessário, por contraponto a uma fé viva superada pela mente porque o coração sente.
A evolução e o desenvolvimento espiritual pressupõem a existência da fé pois caso contrário, não se poderá pensar, sentir e agir de acordo com os ensinamentos os quais por si só têm uma natureza invisível e impalpável.

Questões de fé
Os requisitos já enunciados para se vivenciar a fé, a maturidade, o amor, a coragem, unem-se para que em conjunto com a oração e o serviço aos outros cada ser humano possa em sintonia submeter a sua própria vontade à vontade divina. A vontade, algo que também amadurece fruto das nossas escolhas e da consciência da autoridade que temos sobre nós próprios, é subjugada a uma vontade maior na qual se crê. Essa fé é o acreditar que seja o que for será por um bem maior mesmo que incompreensível de momento, e que a vida de cada um é vivida de acordo com uma orientação superior. Quando se age por medo resiste-se a esta orientação, não se ouve o coração nem a intuição.
Por vezes pensa-se que seguir uma orientação divina implicará a perca do conforto, por isso se limita a fé: acredita-se mas não se aplica, não há entrega. Porém a única coisa que se perde são as ilusões, as quais apresentam dificuldade em serem dispensadas pois vive-se com base em hábitos e ideias enraizados há muito, e a personalidade luta conscientemente pela sua existência e autoridade individual.

Resta então saber até que ponto cada um poderá dizer ao mais divino “Escolhe que eu obedecerei” ou “Seja feita a Vossa vontade e não a minha”, até que ponto nos temos que render ao divino para obter a redenção?

O Perdão como parte do “caminho” da evolução


Por vezes parece ser mais fácil ser místico e pensarmos que conseguimos  amar o mundo do que dar um abraço a quem nos magoou.  Por esta razão creio que nunca é demais reflectir sobre a importância do perdão.
Quereis ser felizes num instante? Vingai-vos!
Quereis ser felizes para sempre? Perdoai!
Henri Lacordaire

A Wikipedia fala do perdão do seguinte modo:
“O perdão é um processo mental ou espiritual de cessar o sentimento de ressentimento ou raiva contra outra pessoa ou contra si mesmo, decorrente de uma ofensa percebida, diferenças, erros ou fracassos, ou cessar a exigência de castigo ou restituição.

O perdão pode ser considerado simplesmente em termos dos sentimentos da pessoa que perdoa, ou em termos do relacionamento entre o que perdoa e a pessoa perdoada. É normalmente concedido sem qualquer expectativa de compensação, e pode ocorrer sem que o perdoado tome conhecimento (por exemplo, uma pessoa pode perdoar outra pessoa que está morta ou que não se vê há muito tempo). Em outros casos, o perdão pode vir através da oferta de alguma forma de desculpa ou restituição, ou mesmo um justo pedido de perdão, dirigido ao ofendido, por acreditar que ele é capaz de perdoar.

O perdão é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração, é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras.

Existem religiões que incluem disciplinas sobre a natureza do perdão, e muitas destas disciplinas fornecem uma base subjacente para as várias teorias modernas e práticas de perdão. Exemplo de ensino do perdão está na "parábola do Filho Pródigo" (Lucas 15:11–32).”

Para os estudantes rosacruzes é fácil perceber que atraímos à semelhança, pelo que se nos magoaram é porque de alguma forma precisávamos dessa experiência. O difícil é por vezes perceber todas as lições que advêm desta experiência de forma a não ter de voltar a atrair outras semelhantes. Atraímos pessoas e experiências que nos servem de espelhos para nos evidenciar os nossos defeitos, carências, medos, preconceitos, frustações, etc mas até onde vai a nossa coragem de os enfrentar? Ao enfrentarmos a dificuldade do perdão ajuda-nos a conhecermo-nos melhor. Não será a capacidade de perdoar proporcional à capacidade com que enfrentamos os nossos medos e defeitos e paralela à capacidade de nos perdoarmos a nós próprios? (pelas ilusões criadas, pelos medos, por nos termos “vendido” a vários factores, pela ingenuidade, etc)

Habitualmente somos mais duros connosco do que com os outros. Devemos recordar que Cristo nos perdoou. Mateus 22.39 nos ensina: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Precisamos sentir que ele nos ama e já nos perdoou. Perdoando a nós próprios e procurando o perdão de quem magoámos dá aos outros a possibilidade de fazerem as pazes connosco.

A psicologia aborda a questão do risco da raiva suprimida que acaba por se transformar em auto destruição inconsciente.  Outros autores falam de que não existe amor sem ódio e que só a manifestação do mesmo mostra que uma pessoa é capaz de verdadeiramente amar. A forma como manifestamos o ódio é que faz toda a diferença  de forma a impedir a autodestruição e a permitir o caminho do perdão. Podemos exprimir o ódio mas não podemos permitir que este se torne em vingança porque aí estamos a tentar imitar o agressor o que é um mecanismo de defesa. Parece ser a atitude mais fácil mas só nos trará ainda mais dor no futuro.

Acerca do perdão, alguns autores falam na “Arte de Perdoar “mas acredito que ela não existe sem a ” Arte de Amar” porque até um determinado nível de evolução considero díficil ter uma  sem a outra.

Nem sempre é fácil perdoar e quanto maior a intimidade ou proximidade que temos com aquele que peca contra nós, mais difícil pode ser o perdão. As Escrituras falam que a má vontade em perdoar os outros nos retira o perdão divino. Jesus ensinou: "Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas" (Mateus 6:14-15). Desde que todos os indivíduos responsáveis diante de Deus necessitam de perdão, é portanto indispensável que entendamos e pratiquemos o perdão. O perdão, então, é um acto no qual o ofendido livra o ofensor do pecado, liberta-o da culpa pelo pecado. Este é o sentido pelo qual Deus “esquece” quando perdoa (Hebreus 8:12).

O perdão é necessário para a cura espiritual de uma relação, mas precisamos preparar nossos corações para este acto e precisamos aceitar a injustiça do ferimento, a deslealdade do pecado, logo ficarmos prontos para perdoar ( exemplo de Jesus e Estevão; Lucas 23:34; Atos 7:60). Mesmo se o pecador se recusar a se arrepender, não podemos continuar a nutrir a raiva, ou ela se tornará em ódio e amargura (veja Efésios 4:26-27,31-32). Ainda que o pecador possa manter sua posição como transgressor por causa de sua recusa a se arrepender, seu pecado não deverá dominar meu estado emocional.

Importa não esquecer que precisamos lembrar que nós próprios somos pecadores e necessitados do perdão divino (Romanos 3:23). A incapacidade de  perdoarmos verdadeiramente pode ser  devido ao falso conceito de que "esquecer é perdoar". Esquecer NÃO é perdoar. Se perdoarmos, nós esqueceremos daquilo que aconteceu. Mas o reverso não é verdadeiro: esquecer não é perdoar - é negar. Uma mente “contaminada” com negação tende a "explodir" nos momentos mais inoportunos.

A ordem aqui é essencial. Primeiro o perdão , depois o esquecimento. Enquanto o verdadeiro perdão não acontece, a ofensa continuará entre nós e a pessoa com a qual tivemos problemas, e o mesmo ocorre em relação a Deus. O pecado  coloca-se entre nós e não pode ser "esquecido" até que lidemos com ele. Se, e quando entrarmos em verdadeiro perdão , podemos considerar a pessoa sem que a "ofensa" esteja entre nós.

Através do perdão cortamos o cordão umbilical com as pessoas e coisas ligados ao registo do nosso reprovável eu pelo que o perdão transforma a maneira como nos relacionamos.

Por último, importa também estarmos atentos aos falsos perdões pelo que como sabemos que já efectivamente perdoámos? Trata-se de uma sensação de bem estar e leveza semelhante ao sentimento de amar que nos permite ficar imunes a qualquer acção do antigo agressor,  logo livres.

Deixo agora algumas alusões na biblia ao Perdão:
Porque tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para com todos os que te invocam.
Salmos 86:5
Então Pedro, aproximando-se dele, lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu hei de perdoar? Até sete? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete; mas até setenta vezes sete.
Mateus 18:21-22
Quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que também vosso Pai que está no céu, vos perdoe as vossas ofensas. [Mas, se vós não perdoardes, também vosso Pai, que está no céu, não vos perdoará as vossas ofensas.]
Marcos 11:25-26
Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.
Lucas 17:3-4
suportando-vos e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como o Senhor vos perdoou, assim fazei vós também.
Colossenses 3:13
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
1 João 1:9
    Mat. 6:12 (BLH) "Perdoa as nossas ofensas como também nós perdoamos os que nos ofenderam".
    Lucas 6:37 (NVI) "Perdoem, e serão perdoados".
Mateus 6:14-15 (NVI) "Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas".

Outros Versículos encontrados:

Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
Salmos 130:4
Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a misericórdia e o perdão; pois nos rebelamos contra ele,
Daniel 9:9
mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão, mas será réu de pecado eterno.
Marcos 3:29
 Há um ditado que diz: "Errar é humano, perdoar é divino".


Um óptimo mês e que o perdão vos ajude a chegar mais perto do amor.

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel