Escolhi este tema porque nos
últimos tempos tenho tomado consciência de que muitos dos problemas que sofro
advêm do facto de não aceitar muitas coisas da minha realidade. Constato também
que este problema não é só meu. Por isso, pensei em fazer uma reflexão acerca
deste assunto com o objetivo de clarificar o meu caminho e ajudar a clarificar
o dos outros. Escrevo este texto com base nos conhecimentos que a minha
evolução espiritual permite, e da observação que faço dos outros. Será a minha
verdade atual que está aberta a qualquer correção e complemento.
Todos nós, em medidas
diferentes, temos dificuldade em aceitar algumas circunstâncias da nossa vida.
Pode ser não aceitar o cão do vizinho, o mau feitio do patrão “se é que existem
maus feitios”, caraterísticas do nosso cônjuge, os quilos a mais ou a menos, os
problemas dos nossos filhos, quem somos etc..
Mas afinal o que é aceitar
ou não aceitar? Vi uma definição sobre aceitação que ajuda a compreender este
termo. Diz que aceitar é ” concordar em receber algo que nos é dado”.
Então, o que é que está por detrás desta nossa
negação ao que nos é dado? Porque não aceitamos?
Não aceitamos porque temos a
nossa visão ainda muito limitada. Ainda está muito centrada em nós próprios.
Queremos moldar o mundo à nossa volta de acordo com os nossos desejos e
ambições de forma a favorecer-nos e àqueles de quem gostamos. Desejamos criar
um mundo que nos dê segurança e estabilidade, que se encaixe dentro das nossas expectativas.
A não aceitação advém do nosso egoísmo e da necessidade que temos de controlar
o que existe à nossa volta.
Quando não aceitamos estamos
a duvidar da Justiça Divina. Estamos a pôr em causa o que Deus entendeu ser o
melhor para nós. Está, portanto, intimamente relacionada com a falta de FÉ. Com
o Não Acreditar naquilo que nos é dado e no que merecemos. É não estar em
sintonia com a vontade de Deus. É dizer “quero que seja feita a minha vontade e
não a Tua vontade”.
Penso que é à volta desta
negação que encontramos explicação para a pergunta que todos fazemos um dia: O
que é que eu quis vir aqui fazer e aprender?- Se calhar viemos cá aprender a
aceitar.
A não aceitação é um
processo de luta interior. Provavelmente uma luta entre os mundos superiores e
os inferiores. Uma luta que desgasta as energias colocando o corpo físico
vulnerável às doenças e ao sofrimento. Desencadeia desequilíbrios emocionais
com o aparecimento de sentimentos de tristeza, de revolta, de raiva e
agressividade… É a causa de guerras, de divórcios, de suicídios etc..
Contudo, nem tudo é mau no
processo de não aceitação. A história demonstra-nos que é graças a esse
sentimento que temos tido mudanças tão boas na nossa sociedade. É o que nos faz
caminhar na procura de um mundo melhor. É a não aceitação das injustiças que
faz com que se procure um caminho mais justo. É com a não aceitação da poluição
que surgem movimentos para a defesa da natureza. É a não aceitação das injustiças
de um patrão, que nos faz procurar um emprego melhor. É com a não aceitação da
violência doméstica que surgem movimentos que protegem e ajudam as mulheres…
Vendo então agora por um
prisma diferente, a não aceitação é como a guerra e as catástrofes naturais,
tem sido um mal necessário. Porque aceitar as injustiças e acomodarmo-nos à
nossa inercia também não é o caminho.
Contudo, pretendo com este
texto focar-me nas emoções que envolvem o processo da não aceitação interior e
que desencadeiam os sentimentos negativos.
Concluo que temos de
aprender a aceitar e agradecer tudo o que nos é dado, e deve ser dentro deste
processo de harmonia mental que devemos analisar o que é necessário mudar ou
não. Ou seja, o primeiro passo deve ser aceitar e depois mudar, se necessário.
O que acontece, na maioria
das vezes, é que desencadeamos a mudança dentro de uma desarmonia interior com
os sentimentos de raiva e revolta a comandar as nossas ações. É aqui que temos
de trabalhar duramente para alterar este processo.
O ano passado, calhou-me o
tema da Fé. Sei agora como é difícil ter Fé e aceitar a vontade de Deus. Como é
difícil acreditar que sofremos para nosso bem, que adoecemos porque merecemos,
que não temos o que desejamos porque assim é melhor. É muito difícil …
Mas, como costumo dizer:
ninguém nos disse que isto ia ser fácil. Se calhar tem mesmo que ser assim…
“A não aceitação é um brigar com uma
realidade que já é.
Essa
resistência não tem poder algum de mudar a situação exterior ou o comportamento
de alguém. Mas, inconscientemente, é como se achássemos que nossas reclamações
mentais e nosso desconforto interno fossem mudar algo.”
Andre Lim em Acunpuntura das emoções
Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel