Escolhi
este tema porque penso que nos tempos que correm, todos nós somos,
de uma maneira ou, de outra chamados a mudar.
Para
mim uma das maiores dádivas que a vida dá ao ser humano, é isso
mesmo, o livre arbítrio, é a capacidade de em qualquer altura se
poder mudar. Está-se sempre a tempo. Nós sabemos que temos coisas
no nosso interior, coisas que guardamos muito bem guardadas, e que
sabemos que estão lá, que precisam de ser mudadas, que existem
porque fazem parte de nós mesmos e sem elas não era possível
crescer e evoluir.
A
mudança. A palavra, em si é muito simples. Mas, na prática
uma mudança pessoal pode levar anos, mesmo muitos anos a ser
efectuada. Implica muitos factores, a aceitação, o tempo próprio
para acontecer, quando se efectua, e depois, o merecimento enorme que
se sente, quando a mudança se dá. Tenho a percepção, ou a noção,
porque já o senti, da sensação de satisfação, de estarmos bem,
quando se passa por tal experiência. É, como se o mundo mudasse
quando nós mudamos.
Comigo
aconteceu, e gostava de vos falar aqui sobre isso.
Durante
muitos anos fugi de mim mesmo. Fugi de um problema negando-o, ao
mesmo tempo que dizia para toda a gente, que estava tudo bem mas,
sobretudo era a mim mesmo que enganava. Fui, como que construindo uma
máscara à volta do que a vida me dizia para encarar com coragem.
Porquê. Por medo do que iria ser encarar o problema de frente. Sim,
com medo de que o resultado, de enfrentar esse mesmo problema, isso
resultasse numa experiência, que me trouxesse mais sofrimento. No
fundo sentia que em alguma altura iria dar o salto. Mas, o conforto
ilusório de permanecer na mesma, era sempre mais forte. Então a
vida deu um jeito. Como não queria perceber a bem, então comecei
por apanhar com coisas mais dolorosas. Sempre adiando, e dizendo que
não as merecia, lá vinha outra experiência, para me acordar, para
que despertasse da minha letargia. Não vos vou dizer, o número de
pessoas que se cruzaram no meu caminho, lembrando-me para a
importância de mudar. Foram bastantes mas, eu é que estava certo,
todos os outros é que estavam errados.
No
meu caso mudar passou pelo facto de aceitar que possuo uma doença.
Acreditem, que quando disse e aceitei isto a mim mesmo, foi como se
um sem número de portas se abrissem no meu caminho. É simplesmente,
isto, dizer sim aquilo que somos com as nossas limitações. É um
passo gigante no conhecimento de nós mesmos. E, depois somos levados
a pensar, o quanto somos criaturas fantásticas. Embora vos diga que
não acaba aqui, pois logo de seguida, aparece um novo desafio, por
resolver. O importante é perceber as diferenças, e não paramos
nunca no tempo.
Penso
pois que mudar é aceitar, mas também querer crescer espiritual e
emocionalmente. Ninguém disse que seria fácil, pois assim sendo,
não valeria a pena.
Eu
mudei porque cheguei a um tal ponto que percebi que a única pessoa a
quem estava realmente a fazer mal, era a mim mesmo.
Depois
veio o meu trabalho. Posso dizer-vos, que andei vinte e poucos anos,
a tentar dar um sentido aquilo que fazia e, após esse tempo a
empresa sentou-me numa cadeira, durante quase dois anos, para que
percebesse, o que realmente queria fazer. Sou um rapaz de sorte
porque nos dias de hoje, já teria sido despedido.
Até
que a oportunidade, de que andava à procura durante todos aqueles
anos surgiu. Mudei e evolui, essa
mudança trouxe-me uma nova ocupação, um trabalho que para mim
constitui um desafio, mais motivante e no qual me empenho.
As
lições são duras até que percebamos que não vale a pena
resistir. O Universo é perfeito e tem aquilo de que precisamos.
Porquê preocupar-mo-nos. Não vale a pena, as coisa são mesmo
assim.
Contudo
a mudança de que aqui estou a falar é profunda, saí do íntimo de
cada um. Cada pessoa sabe e tem consciência disso mesmo, ou seja
daquilo que precisa alterar a bem de si próprio e dos outros.
Não
se trata de sinais exteriores como ter uma grande casa, ter um belo
carro, andar vestido com roupas da última moda.
Penso
que a crise que vivemos tem a ver com isto, as pessoas continuam a
fugir de um lado para o outro, à procura do ter sem se lembrarem do
mais importante que é o ser.
As
pessoas não querem perceber, então o Universo começa por tirar
coisas, passa a haver desemprego.
A
obsessão de arranjar dinheiro para não terem de abdicar das suas
vidas. Mais tarde ou mais cedo vem uma lição dura, ou mais dura
ainda, se for preciso uma lição duríssima.
Tudo
porque continuamos a querer levar a vida que sempre fizemos.
Por
isso a mudança mais tarde ou mais cedo ocorre, e apercebe-mo-nos ,
do quanto importante isso é, e o significado que emana para as
pessoas que nos rodeia e para o mundo. Considero-a uma bênção.
Existe
uma espécie de perigo no excesso de confiança em relação ao
acharmos que se já mudámos, já não voltamos a cair no mesmo erro.
Não é verdade. Quando por vezes precisamos de ser abanados, a vida
encarrega-se de nos dar um empurrão.
É
verdade quando menos se espera lá estamos nós a viver as mesmas
emoções, por vezes o medo assola-nos, e inconscientemente, a nossa
realidade diz-nos que é preciso parar para pensar. Estamos a fazer
alguma coisa da maneira errada. E, assim vamos aprendendo, com o
tempo a ler os sinais, e a evoluirmos sem que isso nos traga tanto
sofrimento. Por vezes esquece-mo-nos mas, a nossa luz interior está
lá para nos lembrar e ajudar.
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel
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