Bem-vindo

Bem-vindo ao nosso Blogue.

É nosso objectivo de uma forma simples organizar alguma informação e dar a conhecer a Filosofia Rosacruz e a possibilidade de a estudar e de a viver.

Sintam-se à vontade para questionar a validade de tudo, pois só o que fizer reflexo em nós, só o que acreditarmos como verdade, é que o devemos aceitar.

Em seguida aparece a última mensagem que foi escrita e no final o Arquivo do Blogue.

Que a Luz esteja convosco.

Ser

Acordamos às 7 horas da manhã, levantamo-nos, lavamos os dentes, a cara. Uns tomam um duche. Olhamos para o espelho, os dentes estão limpos, os olhos algo côvados, algo pálidos. Há quem opte por uma linha nos olhos, uma cor nas bochechas, outros seguem para a roupa, para a comida, trabalho. Passa a manhã, chega o almoço, continua o trabalho para a tarde, alguns para a noite. Chegamos à cama e dormimos. Acordamos às 7 horas, levantamo-nos, lavamos os dentes, a cara…

Passam-se dias, meses, anos, e as rotinas mais regulares para os obsessivos, mais irregulares para os rebeldes, tornam-se monótonas com o olhar de décadas. E, num momento estranho (eles próprios ocorrem com alguma frequência), surge na vida de cada um, mas porque é que sou assim? Porque é que faço as coisas desta forma? Vale a pena continuar?

Ser ou não ser…

Hamlet, William Shakespeare

Uma das versões da análise desta famosa pergunta relaciona-se com vale ou não a pena viver? E uma das respostas duras é que viver é simplesmente melhor do que a morte. Mas penso que todos nós estaremos em condições de dar melhores respostas à questão “vale a pena viver?”.

Mas e que outras questões existem, que outras questões frequentemente assolam o espírito humano? Existe aquele clássico: de onde viemos, onde estamos, para onde vamos? Talvez para responder a esta pergunta já seja necessário estudar um pouco mais, como vimos na última reunião, e lendo os textos sobre a iniciação Rosacruz, podemos ter uma resposta mais completa a este clássico.

Podemos inclusivamente responder a todas estas perguntas, e a muitas mais, mas somos nós realmente? Uma das primeiras limitações que temos é o hábito que faz tão parte de nós como o nariz de desligarmos a nossa consciência para os actos simples que realizamos a cada momento. O cérebro para poupar energia e deixar espaço para nos preocuparmos com novos acontecimentos, torna tudo o que pode num hábito. É assim que aprendemos a engolir, a mastigar, a andar, a falar e a escrever,… Até ao ponto em que a maioria das pessoas vive no automático que é a vida. Realmente a “sociedade” não existe como um único organismo, mas existe como o resultado da interacção dos seres humanos de uma determinada localização. Acabamos por ser como um enxame e qual é a melhor forma de o enxame prosperar? Acertaram, é fazer tudo no automático, não questionar, não mudar. É por isso que o statuos quo é tão poderoso. Gasta muita energia ao enxame mudar a forma de realizar as actividades diárias.

Para ser, precisamos de ser livres para nos expressarmos. Até que ponto isto é verdade? Somos sempre limitados pela sociedade, se não for por ela, por aquilo que nós pensamos que é socialmente correcto. Se não for por isso, por aquilo que nós achamos pessoalmente correcto. Se não for por isso, pela forma como o nosso inconsciente e as nossas defesas inconscientes funcionam. Se não for por isso, pelas nossas próprias limitações cognitivas e físicas.

Aquele que sabe que não é livre, está um passo mais próximo da liberdade.

Este mês em que estamos caminhamos para um dos momentos de maior profundidade espiritual do ano e pode surgir a pergunta, mas afinal porquê o Natal, quem era Cristo?

Eu deixo-nos o trabalho de percebermos quem é que nós somos? Que agressividades, sensualidades, maldades guardamos dentro de nós? Que carinhos, bondades? Que dependências? Que más indiferenças?
Qual é o nosso eu do trabalho? Dos amigos? Da família? De nós próprios?

Nós que somos múltiplos, pois essa é uma verdade inevitável devido à nossa capacidade inata de adequação social, afinal quem somos? Se não tivéssemos capacidade de contenção dos nossos impulsos, se não tivéssemos “rédeas” na nossa vida diária, qual era o nosso cognome?


Assim, o trabalho para este mês é a observação do nosso interior, com a máxima atenção e vejam realmente o que se passa por dentro de nós na nossa interacção com o mundo. (E claro, sejam verdadeiros convosco, pois as emoções e a consciência delas, são duas coisas completamente diferentes).

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Iniciação - Parte II

“Cada um possui uma experiência diferente da iniciação, mas, em cada caso, é uma experiência interna, e a manifestação externa desta experiência interna é que transforma toda a vida do homem, em todos os seus aspectos. … A Iniciação transforma por completo a vida do homem. Dá-lhe confiança que jamais possuiu. Envolve-o com o manto de autoridade que nunca ser-lhe-á tirado. Não importam as circunstâncias que se apresentem na sua vida, ela difunde uma luz sobre todo o seu ser que é simplesmente maravilhosa.”

Este excerto do livro “Colectâneas de um Místico” de Max Heindel, foi o meu modo de terminar o tema de “Iniciação I”, do ano passado em Fevereiro, e como é um tema extenso resolvi dar-lhe continuação.

Passou-se quase dois anos, e este passar do tempo trouxe-nos novas experiências, novas aprendizagens, novas oportunidades de utilizarmos o nosso livre arbítrio, e daí resultaram algumas marcas em todos nós, portanto estamos todos mais sábios, não se riam, nem façam essas caretas, nem torçam o nariz.

É uma verdade, estamos mais sábios, podem não dar importância à vossa sabedoria duramente conquistada.

E este “duramente” pode também ser a simples contestação de que afinal não aprenderam assim tanto, podiam ter-se esforçado um pouco mais, podiam .... mas também isso é sabedoria!

Nesta fase da nossa evolução todos, mas todos temos muito a aprender, porque a aprendizagem é lenta. Observem a natureza, por exemplo, estamos agora no Outono, e a preparação para o Inverno demora mais ou menos 3 meses e assim sucessivamente. Precisamos de tempo para adaptarmo-nos, e esse “tempo” é lento. Mas se formos persistentes e empenhados, conseguimos acelerar um pouco o nosso ritmo de aprendizagem.

Mas acelerar para quê? Parece que “tudo” está na mesma, as mesmas maldades, sofrimentos, fome, guerras, doenças, e continua a parecer que os “maus” ganham sempre em vez de serem os bons.

Vocês sabem que na verdade as coisas não estão na mesma, há diferenças mesmo que subtis e pequeninas, sim tem a ver com a lentidão da evolução, várias encarnações não são suficientes para aprendermos tudo o que necessitamos.

Um modo de “acelerarmos” é preparamo-nos para a iniciação. Não querem? Têm medo?

Para vos dar essa ideia óptima e maravilhosa, é que comecei com o texto de Max Heindel, releiam-no atentamente. E devagar, como se mastigassem as palavras. Não deve ser maravilhoso atingir tal grau? E como também ele nos disse qualquer um de nós pode ser um iniciado.

O caminho é difícil nos seus aspectos práticos, ou seja, precisamos de treinar:
  1. Atenção – e essa atenção refere-se aos pormenores do nosso dia-a-dia, por ex: a reacção dos outros às nossas acções, os sorrisos, as caretas, as interrogações. O nosso comportamento nas situações. O tempo, o ambiente, a luz ...
  2. Aceitação – que é o contrário da resistência, e isto não significa sermos “totós”, a aceitação refere-se só, que numa 1ª abordagem nós aceitamos o facto (a notícia, a comunicação, a intriga, a maledicência, a inveja, o amor ...), de seguida podemos atrair o interesse ou a indiferença.
  3. Acção – que nos levará à aprendizagem, a dizer sim ou não, ou a modificar, ou qualquer coisa que faça sentido para vocês.

Podem pensar, mas isto é básico! Pois é, e também já falámos disto vezes sem conta. Estão cansados de ouvirem sempre o mesmo? Mas não temos que aprender pela repetição? Ou já alterámos o nosso comportamento? Já nos levantamos da cama a maioria das manhãs, contentes a agradecer por mais um dia maravilhoso? A pensar que vamos conseguir atingir os nossos objectivos, mantendo-nos no nosso caminho bom? Já pedimos sabedoria como bússola da nossa vivência?

Quaisquer que sejam as nossas respostas, uma coisa é certa, temos que continuar a tentar a fazer o nosso melhor, a querermos ir mais longe.

Um ponto muito importante, que me tem ajudado muito, é sentir a divindade dentro de nós. Sentirmos que fazemos parte de tudo, do todo. Somos como pequenos grãos de areia, mas uns grãos de areia muito importantes, porque somos únicos!

E termino, com uma citação de Max Heindel, no seu livro Ensinamentos de Um Iniciado, O factor determinante, o que qualifica qualquer acto como um serviço de natureza espiritual ou uma simples actividade física, é a nossa própria atitude no mundo.




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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Bondade

A palavra bondade é usada frequentemente para designar uma virtude pessoal ( definição da Wikipédia )

Penso que esta "virtude" deve ser fomentada e posta em prática na nossa vivência diária .
Tal como as palavras são a verbalização dos nossos pensamentos, os nossos actos demonstram a nossa formação, crença e filosofia de vida.

Toda as acções por mais pequenas que sejam têm um significado.

A forma como tratamos alguém, define a forma como tratamos toda a gente, incluindo nós próprios.

Se não conseguirmos apreciar os que nos rodeiam não conseguimos apreciar-nos a nós próprios .

Se desrespeitarmos os outros, despeitamo-nos a nós também.

Se formos cruéis para os outros, também o seremos connosco.

Devemos ser bondosos com as pessoas com quem interagimos e nos envolvemos.

Se formos mais atentos, mais generosos, mais positivos cada ser humano está a ser influenciado positivamente. E como sabemos e experiênciámos já, atraímos à semelhança...

Assim, estaremos  todos os dias a contribuir para um mundo melhor mais evoluído e desinteressado.

Pessoas como nós, com o conhecimento que já possuímos, temos o dever de identificar as necessidades dos outros, e aplicar na dose adequada,a indulgencia necessária de forma eficaz .

Ser bondoso é ter coragem de dizer sim e não.

De nos darmos sem interesse.

No meu caso, por várias razões: vivência, experiência, idade e sem ser pretensiosa, alguma sabedoria, sinto-me cada vez mais apta a aplicá-la na minha vida pessoal privada, profissional e de voluntariado.

Para terminar, faço-o com um pensamento de  La Rochefaucauld para dar inicio ao debate  de ideias :
" Nada é mais raro que a verdadeira bondade; até os que julgam tê-la, apenas têm condescendência ou fraqueza"

Vivamos com bondade!

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Ciúme

A explicação psicológica do ciúme tem origem desde a infância, apego aos pais, entre os
quatro e seis anos a cirnaça se identifica com o progenitor do mesmo sexo e simultãneamente
tem ciúmes pelaatracção que ele exerce sobreo outro membro do casal. Em adulto essas frustações podem
reaparecersob a forma de uma possessividade em relação ao parceiro ou mesmo revelando-se uma
paranoia.

Atingido o grau de paranoia a pessoa está convencida sem motivos aparentes da infelidade
do outro e passa a procuar exaustivamente evidencias de traição em qualauer atitude ou gesto do outro
limitando mesmo a liberdade deste.

E evidente que este grau de ciúme e um dos mais elevados, contudo sendo o ciúme transversal
a todas as culturas, épocas e raças podemos encontra-lo em todas as todas as pessoas independentemente
da idade . O ciúme pode existir entre irmãos, colegas e amigos.

Uma pessoa extremamente ciúmenta apresenta na sua personalidade timidez, insegurança e falta de auto estima. Não pretendendo aprofundar exaustivamente este tema o qual tem sido trabalhado sob todos
os angulos em operas, peças literárias transpostas para o teatro e cinema, gostaria de compeender melhor
este sentimento na sua vertente mais comum .
pela vertente de cuidado ou zelo de uma pessoa pela outra? Quando não há uma pontinha de ciúme numa
relação ésinónimo de falta de amor verdadeiro?

Será o ciúme uma emoção a abolir na nossa evolução ?

Diz-se que o ciúme está intimamente ligado à inveja,com a diferença que a inveja não envolve o
sentimento de perda que existe no ciúme. Pessoalmente sinto que a inveja é um sentimento mais

pernicioso e feio que o ciúme dentro do limite do razoável.

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Saber Amar

“Não ama a Deus quem maltrata seu semelhante lhe fere a alma e o coração”.
“Só uma coisa o Mundo precisa saber: só existe um bálsamo para todas as humanas dores; só há um caminho que conduza aos céus: este caminho e COMPAIXAO e  AMOR”.  Max Heindel

SABER AMAR....
Muitas vezes duas almas se chamam, mas mais parecem duas magoas que se atraem....
Qual será o motivo que nos leva a escolher alguém que vai reabrir as nossas feridas?
 Escolhemos sempre o mesmo tipo de pessoa, repetimos os mesmos comportamentos errados (agradar, esconder as nossas fraquezas, calar as duvidas, os medos....).e depois a cada insucesso deduzimos que somos incapazes de nos fazer amar!

Essa dedução vem de bem longe, a criança sempre prefere pensar que é ela a culpada da falta de amor da parte dos pais! E vai carregar essa crença ao longo da vida.
Para poder amar livremente devemo-nos livrar desses sentimentos de vergonha e de desvalorização

O que é amar?
Erich Fromm diz: “O amor é uma preocupação activa pela vida e o crescimento de quem amamos. Onde falta essa preocupação afectiva não há amor.” (L’Art d aimer)
O que significa que no momento em que magoamos, humilhamos, traímos uma pessoa, não a amamos. As únicas intervenções brutais realmente motivadas pelo amor são as que se destinam a salvar um ser de um perigo.

E será que é esse mesmo estado interior que nos move quando obrigamos os nossos filhos a fazer algo e a obedecer? Nesses momentos estamos a ensinar erradamente que amar e ser frio, duro, inacessível e ignorar os sentimentos. Deveremos ao contrario ensinar que o verdadeiro amor é feito de empatia e de partilha, de atenção e respeito, de intimidade e ternura, de aproximação afectiva e de gratidão.

O amor implica a responsabilidade. Como explica a raposa ao Principezinho, “tu ficas responsável para todo e sempre por aquilo que aprisionaste”.

Amar é responder pela relação, estar atento as necessidades do outro. Não toma-las a nosso cargo, mas respeita-las, ouvi-las e dar-lhes respostas. Amar é estar atento a nossa maneira de tratar o outro.
O amor implica comunicação, escuta, respeito e não é compatível com a humilhação (que são manifestações de frustração e raiva).

O respeito é a capacidade de ver a pessoa tal como ela é, desejar o seu desenvolvimento segundo os seus próprios desejos e caminhos e não os nossos projectos.

Enquanto tivermos necessidade do outro para preencher os nossos vazios, aquilo que chamamos amor parece-se com amor, mas não e amor.

Amar é abrir-se á realidade do outro, tal como ele é, sem procurar modela-lo segundo as nossas expectativas, e encoraja-lo no seu caminho, mesmo que não seja o nosso, respeitando e exprimindo as nossas necessidades obviamente.

Temos que ser gratos a essa pessoa não tanto por tal gesto ou palavra, mas simplesmente porque ela existe e nos permite viver essa experiencia.

Para que uma relação seja duradoura deve ser um lugar de desenvolvimento mútuo, precisa de se manter sã, fluida e simultaneamente sólida e leve (junco).

Amar não quer dizer confundir-se um com o outro. Um casal vivo é uma relação que permite a cada um tornar-se, dia a dia, cada vez mais ele próprio. O outro confronta-nos connosco, com os nossos limites, a nossa educação, os nossos sentimentos recalcados. Quando fechamos o nosso coração ao outro, quando o acusamos de todos os males, e porque tropeçamos nas nossas próprias emoções inconscientemente. 

Conservar o coração aberto de cada vez que podemos ter vontade de fecha-lo é uma maneira não só de proteger a relação mas de crescer pessoalmente.

Ser altruísta não é negação de nos próprios, mas pelo contrário, o alargamento da nossa consciência para integrar o outro. O altruísta é capaz de empatia, de cooperação e comprometimento social. É responsável, o que quer dizer que tem consciência das consequências dos seus actos a curto e longo prazo, perante o outro e o futuro. Dirige a sua vida com ética. O altruísta ama-se e respeita-se suficientemente para nunca realizar um acto que ira contra a sua auto-estima.

A PRISÃO DO ORGULHO
Choro, metido na masmorra
Do meu nome.
Dia após dia, levanto, sem descanso,
Este muro à minha volta;
E à medida que se ergue no céu,
Esconde-se em negra sombra
O meu ser verdadeiro.
Este belo muro
É o meu orgulho,
Que eu retoco com cal e areia
Para evitar a mais leve fenda.
E com este cuidado todo,
Perco de vista
O meu ser verdadeiro.
— Rabindranath Tagore, "O Coração da Primavera"

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Alegria e Gratidão


Este tema já estava escolhido há bastante tempo, por um lado inspirado pela música principal do espectáculo que o Cirque do Solei apresentou em Portugal o ano passado, que tem o titulo de Alegria (aqui fica o link para quem a quiser ouvir http://www.youtube.com/watch?v=y8YjtozRX1o), e que me inspirou muito, pois me levou a pensar como podemos ser mais alegres e ter mais alegria nas nossas vidas, pois o objectivo da vida para além da evolução é sermos felizes e também proporcionar felicidade aos outros!

Por outro lado também queria escolher um tema novo que pudesse ter uma tónica mais positiva, dada à conjuntura actual e à tendência inata do povo português para alguma tristeza e melancolia. E a Primavera é uma estação inspiradora para este tema!

Bem sei que nem sempre é fácil manter a alegria em alta e o espírito positivo e que há circunstâncias e alturas em que é especialmente difícil, mas será que com toda a informação a que temos acesso na filosofia Rosacruz e sabendo que a evolução é o propósito da vida e conhecendo as “leis” pelas quais ela se rege, não deveria de ser mais fácil encarar a vida de forma mais alegre? E de sermos gratos pelas experiencias e oportunidade que nos são proporcionadas?

Será que mesmo fora dos períodos mais conturbados conseguimos estar e ser de facto alegres e gratos pela bênção que é a vida e por esta oportunidade de evolução?
Estamos a viver as nossas vidas em pleno ou muitas vezes apenas “sobrevivemos” ao dia a dia e às obrigações e responsabilidades que temos? Claro que estas fazem parte das nossas vidas, mas ser feliz, alegre e ter sonhos também deveria fazer parte. E tudo o que fazemos pode e deveria ser feito com alegria, quer sejam obrigações ou actividades lúdicas. Isso seria o ideal!

Porque é que é difícil de facto viver com mais alegria e sermos mais felizes, o que nos impede?

Partilho convosco algumas conclusões a que cheguei…
Creio que uma parte se deve a um certo comodismo e à repetição de padrões e crenças nossas, que vêm de família, religiosas ou da sociedade, de que a vida é “pesada” e como tal não pode ser vivida de forma mais leve, divertida e alegre. Talvez nunca questionámos e nunca tivemos a “ousadia” e motivação para experimentar fazer ou ser diferente. Por trás deste comodismo, em parte, estará o nosso tão bem conhecido medo do desconhecido ou de se fazer diferente, por vezes este medo é subtil e nem identificamos que ele existe. Outro factor que muitas vezes alimenta este comodismo é a pessoa por algum motivo não acreditar que merece mais e melhor da vida, e por isso não sonha ou estabelece objectivos que gostaria de alcançar e vai à “luta” por eles.

Muitas vezes no corre corre do dia a dia não temos a oportunidade de dar 2 passos atrás e olhar para a nossa vida como um espectador e identificar o que não está tão bem o que podemos melhorar e o que queremos mudar radicalmente, ouvir o nosso coração, sentir e perceber o que estamos a sentir e ver se não estamos em conflito interno em alguma área. E com este processo irmo-nos conhecendo melhor. E depois atrevermo-nos e por vezes “obrigarmo-nos” a introduzir mudanças e sermos diferentes, cada vez mais nós próprios e genuínos.

O facto de seguirmos e conhecermos a filosofia Rosacruz, e se para além de a percebermos racionalmente a seguirmos de coração, sentirmos que faz sentido, deveríamos de conseguir viver de forma mais alegre, feliz e gratos, pois viver segundo esta filosofia não é incompatível com o termos e procurarmos uma vida cada vez mais feliz e alegre, antes pelo contrário no meu ponto de vista. No capítulo do Primeiro céu, do Conceito, é dito o seguinte “… viveremos de novo toda a alegria de bem agir, sentiremos toda a gratidão emitida por aquele a quem ajudámos.” “A importância de apreciar os favores que nos têm sido feitos; a gratidão produz crescimento anímico.”

Se no primeiro céu iremos viver toda a alegria de bem agir e toda a gratidão porque não começar a vive-la e senti-la já?

Bem sabemos que tudo o que fazemos e pensamos está imbuído de energia e esta passa e é percepcionada pelos outros, mesmo que inconscientemente, assim sendo é muito importante estarmos e sentirmo-nos bem genuinamente (não adianta disfarçar), principalmente se queremos “estar ao serviço”, também vem escrito no capitulo do Primeiro Céu, do Conceito “ Quando dou alguma coisa, dou-me eu mesmo”. “Um olhar carinhoso, expressões de confiança, a simpatia, a ajuda benévola, são coisas que todos podem dar, seja qual for a sua fortuna.”
Então será melhor darmos o melhor de nós!

Por tudo isto já pus desde o ano passado em pratica o seguinte exercício, o tentar fazer tudo no meu dia a dia com maior alegria e contentamento possível, estando o mais focada possível em cada tarefa que tenho que desempenhar, no fundo é o conceito de viver o momento presente, e perceber e sentir como posso fazer de maneira diferente ou melhor, se gosto ou não gosto da maneira como estou a fazer, se estou em esforço ou não e perceber como posso alterar e puxar pela criatividade para alterar e melhorar e tornar as tarefas menos pesadas e mais prazerosas. E respeitar-me, não fazer só porque “é suposto” ou os outros esperam isso de mim, se isso me é prejudicial ou sinto em consciência que não é o melhor a fazer ou não o é naquele momento ou daquela maneira. (isto não é um apelo à rebelião, porque no meu caso concreto, a minha tendência é a contraria, e é uma forma de chegar ao equilíbrio e saber/aprender a dizer também “não”)

Se tivermos mais prazer nas coisas que fizermos teremos sentimentos e pensamentos mais positivos e o nosso estado de espírito terá uma repercussão muito positiva à nossa volta, pois servimos de melhor exemplo para os outros e a nossa energia tem um impacto mais positivo nos outros, para além do facto que se esgotasse menos depressa, principalmente se não cedermos à energia da queixa.

O grande desafio que deixo é o pensarmos em maneiras de ter mais alegria na nossa vida e encontrar fontes de alegria que já existem mas que não estamos a reconhecer, e redescobrir fontes antigas que deixámos de lado por algum motivo.

Atrevermo-nos a conhecermo-nos melhor a nós próprios, a experimentar coisas novas ou a fazer as antigas de maneira diferente, e tentarmos ser e sentirmos diferente, sermos mais genuínos.

Sentir o coração, fazer também de acordo com o ele nos diz e não deixar que a mente muitas vezes o “atropele” com a sua inflexibilidade.

Ser gratos pelas coisas boas que temos e das oportunidades que criámos e que podemos criar e as que nos são dadas para evoluir.

Eu acredito que a nossa essência e a da nossa alma são amor, paz, alegria e luz, pelo que são características inatadas, estão é por vezes entorpecidas pela experiencia da matéria!

E para terminar fica aqui o início de uma música, escrita por Vinicius de Moraes, que também é muito inspirador…

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração



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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

A morte

A escolha deste tema poderá ser para alguns um bocado pesado, no entanto decidi escolhe-lo por ter sido o responsável pela minha entrada na filosofia Rosa Cruz.

Faz agora no mês de Abril quatro anos que a minha mãe faleceu. Lembro-me como se fosse hoje e de todas as atitudes que tomei após ter recebido a notícia do seu falecimento.

Quando recebi a notícia, apesar de a minha consciência me dizer que não havia nada a fazer, fiquei em choque, foi como me dessem uma pancada na cabeça e tivesse perdido os sentidos. Na altura já seguia um plano de recuperação da minha renite alérgica com a Dª Ana. Nas consultas que eu, a minha mulher e os miúdos íamos tendo, a Dª Ana sempre demonstrou uma grande sensibilidade espiritual.

Foi então que a minha mulher, resolveu a seguir a notícia do falecimento, ligar para a Dª Ana e pedir-lhe para falar comigo por telefone. Lembro-me perfeitamente de todas as palavras que me transmitiu e o que deveria fazer para ajudar a minha mãe a subir. Tranquilizou-me, transmitiu-me que a minha mãe estava bem, que a morte não é um fim mas uma etapa para a continuação da nossa evolução, por mais que nos custe perder o contacto físico com as pessoas que tantos amamos. Transmitiu-me também que o processo de subida da minha mãe também não é tão simples e que eu podia ser um peça fundamental para a ajudar. Para isso devia evitar ao máximo, por mais que me custasse, chorar ao pé do caixão se possível fazer a cremação e sempre que me lembrasse dela, ela estaria a olhar por mim.

Foi uma conversa que não deve ter durado mais de 5 minutos, mas ninguém pode imaginar como me senti depois de ter desligado o telefone. Senti-me mais leve, tranquilo porque a minha mãe estava bem e com vontade de a ajudar no seu processo de subida. Encarei aquela conversa como uma tarefa. Agora tudo fazia sentido na minha cabeça já não tinha medo.

Quatro anos passaram e cada vez mais encaro este tema de uma forma mais “técnica”. Para mim a morte não é o fim de nada mas uma etapa para a nossa evolução.

A objetivo de vos contar em pormenor todos estes acontecimentos, é apenas para vos sensibilizar com minha experiência que a filosofia Rosa Cruz foi determinante num processo complicado que normalmente só é avaliado quando passamos por ele.


Através da filosofia Rosa Cruz, podemos compreender e obter respostas para todos aqueles acontecimentos que nos chocam tais como as mortes em massa devido a catástrofes ou acidentes ou mesmo a perda de um a filho à sua nascença.

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel

Maternidade

Apesar das tentativas em menosprezar a maternidade e caracterizá-la como algo enfadonho, esta quando analisada sob a luz dos ensinamentos espirituais, é um dos atos mais nobres a que uma mulher pode aspirar além de ser um dos mais importantes a que possa se submeter. As responsabilidades e privilégios da maternidade, se encarada com reverência e seriedade, pode ser uma das experiências mais gratificantes no plano físico, além de proporcionar grande crescimento anímico.

A mãe providencia o veículo inicial que irá ser utilizado pelo Ego que está a caminho do renascimento. Ela, mais do que qualquer outra pessoa, está em condição de determinar o ambiente no qual a criança crescerá e as influências a que estará sujeita durante os seus anos de desenvolvimento. Os veículos em formação da criança desenvolver-se-ão de acordo com o tratamento e as atitudes que a mãe teve para com os seus próprios veículos físico, mental e emocional.

Sob a luz dos ensinamentos ocultos, tentativas de conceber somente devem ser feitas quando as linhas de forças planetárias estão favoráveis. A energia criadora deve ser canalizada para a atividade mental, jamais utilizada para se obter prazer. Do ponto de vista astrológico, existem duas condições importantes a serem consideradas se desejamos que um Ego renasça sob condições harmoniosas. Em primeiro lugar os pais devem possuir afinidades, e em segundo a conceção deve ocorrer quando as forças planetárias estiverem em relação harmoniosa indicada no horóscopo dos pais. Por "relação harmoniosa", não queremos dizer presença de trígonos e sextis, mas também equilíbrio entre as dissonâncias.

Apesar de ser verdade que a queda do homem teve como causa a má utilização do ato criador, não devemos esperar que este ato seja retificado somente pela conceção sob condições planetárias favoráveis. A humanidade tem-se desenvolvido consideravelmente desde aquela época, sendo que as necessidades do homem moderno são maiores.

Existe uma verdade na astrologia que infelizmente é ignorada por muitas pessoas, um horóscopo não pode prometer mais do que é inerente à sua natureza. Consequentemente devemos nos perguntar: qual é o valor de verificarmos condições planetárias favoráveis se ao mesmo tempo não avaliamos o nosso estágio físico, mental e espiritual? Se tais atributos são pobres independente da natureza das condições planetárias, os resultados não são satisfatórios.

Dessa forma se desejamos conceber crianças saudáveis, não devemos atentar somente para as condições planetárias, mas também purificarmo-nos o melhor que pudermos. Assim, quando as condições internas indicadas pelas posições planetárias sejam favoráveis, podemos esperar a conceção de Egos qualificados.
Como a maior parte da humanidade não alcançou um estágio evolutivo considerável, é óbvio que uma vida de celibato é algo difícil de se esperar. Como consequência, a maioria das crianças continua sendo concebida em momentos indevidos. Uma vez ocorrida a conceção - deliberadamente ou não - a primeira obrigação dos pais é para com a criança. Ambos são responsáveis pelo Ego que está a caminho do renascimento.

Conveniente ou não os pais devem procurar desempenhar tal tarefa da melhor maneira possível, não somente por causa do Ego que está para renascer, mas também por seus próprios futuros. A tranquilidade com a qual a gravidez é muitas vezes interrompida, por conveniência, é repreensível, e os envolvidos incorrerão em pesados débitos do destino.

A síntese da maternidade se encontra em Maria, a mãe de Jesus. No Cristianismo Ortodoxo, ela é reverenciada como uma Virgem Imaculada de pureza inviolável. O Cristianismo Esotérico também a reverencia pela sua pureza e espiritualidade, porém relata que a "conceção imaculada" refere-se ao fato de que Maria e José, dois seres dos mais avançados da raça humana, foram capazes de realizar o ato criador sem paixão, somente com o propósito de fazer com que um Ego conhecido como Jesus, encarnasse na Terra. Jesus cuja missão era desenvolver o seu veículo físico para ser usado por Cristo, foi sem dúvida o ser humano mais puro e desenvolvido espiritualmente. Sua mãe também teve que se purificar, pois somente assim seria capaz de gerar um ser tão nobre.

Assim sendo, uma vida pura, vivida sob os ditames da Lei Natural, é o melhor preparo para a maternidade. Quanto mais experiência a mãe adquire ao procurar dar o melhor tratamento possível aos seus veículos, mais capaz ela será de trabalhar com a criança., Certamente, não importa que direção a vida tenha tido nos anos anteriores à conceção; tão logo uma mulher tome consciência de que está grávida, é de sua responsabilidade esforçar-se para ter bons pensamentos e praticar atos que beneficiem seu futuro filho.

Hábitos Nocivos
Estudos científicos têm revelado que os maus hábitos como fumar, beber e utilizar drogas, causam danos consideráveis ao feto em desenvolvimento. Felizmente a ciência material está ajudando a convencer as mulheres que desejam ser mães, a mudar seus comportamentos. Parece que o bom senso é o suficiente para mostrar que esses hábitos são perigosos tanto para o feto quanto para a mãe.

O mesmo vale para os alimentos que a mãe consome, particularmente no período da gestação. Uma dieta rica em nutrientes ajuda a realizar o seu trabalho de forma eficaz, além de fornecer um melhor material para a construção dos veículos do Ego que está a caminho. Ao contrário, uma dieta pobre formada basicamente de produtos refinados, doces, carnes e outros elementos nocivos, prejudica ambos os egos.

Ambiente Harmonioso
Igualmente importante são os pensamentos que a mãe dirige para a criança. O tempo de retorno à terra é particularmente difícil para um Ego. Ele deixa a segurança e a harmonia do mundo espiritual e retorna ao tumultuado e doloroso mundo físico. Não importa quanto ansioso esteja por vivenciar as experiências terrestres; o "envolver-se na matéria" não pode ser indeciso. Qualquer ajuda que o Ego receba nesse momento, que o faça sentir-se amado e desejado, será de um valor incalculável. Se ele sente que a família em que irá nascer e particularmente os seus pais estão preparados para recebê-lo de braços abertos, as vicissitudes da vida futura tendem a tornar-se mais amenas. Talvez até, seja mais verídico para um Ego que está para renascer do que para aquele que tenha estado de algum modo preso à terra, que a presença do amor diminua o peso do destino, enquanto que a sua ausência aumenta até mesmo os aborrecimentos mais triviais Importante também é a atmosfera em que a mãe se situa. Se a sua vida em casa é calma, se ela é rodeada de amor e carinho pelo marido e família, se dá valor às questões espirituais, se aprecia a boa música, a natureza, leituras elevadas, etc., tudo isto se refletirá não somente em seu estado mental, como também na criança que traz dentro de si. Desarmonia, amoralidade e atividades de gosto questionáveis, penetram na consciência da mãe e perturbam não só a sua serenidade, como também a da criança.

O Ego e as Leis
A Ciência Oculta evidencia que tanto a Lei de Consequência quanto a Lei de Atração, determinam o lugar em que o Ego irá renascer, assim como a família e o ambiente em que irá viver. Relacionamentos inimigos em vidas passadas perduram até o momento em que estes sejam solucionados com amor. Isso explica os antagonismos tão comuns entre membros de uma família. Às vezes há o antagonismo entre mãe e filho, desde o começo. Esse é o caso de dois egos que estão tendo a oportunidade de reconciliarem-se. Tal situação requer sabedoria e boa vontade por parte da mãe, sentimentos que se refletem na criança que ela educa. Por outro lado relações harmoniosas entre membros de uma família, é o resultado da boa conduta que os envolvidos tiveram em vidas passadas.

A Lei de Consequência irá determinar de que forma o Ego que está para renascer irá viver. A falta de cuidado que teve com os seus veículos em vidas passadas resulta em veículos fracos na atual existência. Os débitos do destino indicam que o Ego irá ser privado de algo. As leis naturais não podem ser infringidas e as lições têm que ser aprendidas, muitas vezes sem a ajuda da mãe, que se verá impossibilitada de aliviar o sofrimento que a criança tem que enfrentar. Se, o Ego tem que passar a sua existência em um veículo debilitado, a mãe tem a prerrogativa e até mesmo o dever de ensinar-lhe as regras de higiene e alimentação, que o capacitarão a utilizar da melhor maneira possível o veículo que possui atualmente. Os pais podem não dispor de recursos materiais suficientes para oferecer à criança, porém devem doar-se, transmitindo-lhe amor e confiança. Agindo dessa forma, estarão moldando a criança aos mais elevados padrões morais, além de fazer com que se torne um ser humano auto suficiente e confiável.

A Astrologia como um recurso
Uma vez que a criança nasceu, convém que a mãe verifique o seu tema natal o quanto antes. Será bom que procure adquirir conhecimentos suficientes de astrologia a fim de que possa interpretar o tema. Caso contrário, a interpretação do horóscopo da criança, feita por um astrólogo espiritual qualificado, poderá ser devidamente estudada.

As configurações planetárias no momento em que a criança respira pela primeira vez, revelam as debilidades ou fortalezas com que o Ego está retornando à terra, características que são determinadas conforme os atos praticados nas últimas existências. Conhecendo os pontos fortes e fracos a que sua criança está sujeita, a mãe deve orientá-la devidamente nos seus primeiros anos de vida a fim de que o Ego evolua. Caso perceba que a criança é propensa à indulgência sensual, uma ênfase na moderação é fator importante. Porém se tende a ser hostil para com os demais, a mãe poderá fazer com que a criança conviva com os seus amigos, auxiliando-os quando necessário. Se há uma inclinação para a supremacia material ou prestígio intelectual, deve-se procurar explicar à criança a sua natureza espiritual, sendo que tal entendimento é de extrema importância.

Educação
Cabe lembrar que o conhecimento adquirido pelas crianças nos planos superiores ainda está latente e que o ceticismo, cinismo e ilusão do mundo físico estão desconhecidos. Uma educação baseada nos conhecimentos da filosofia cristã esotérica, será de incomensurável valor, fazendo com que as crianças se tornem adultos capazes de conduzir suas próprias vidas. Os preceitos básicos da Filosofia Rosacruz e particularmente o conceito de Fraternidade Universal e Amor podem ser ministrados desde a mais tenra idade.

Como as crianças não são críticas, mas muito imitativas, as atitudes e hábitos dos que estão próximos, em particular da mãe, exercem nelas uma influência considerável. Assim sendo a mãe deve ser cuidadosa a respeito da sua própria expressão, mesmo quando perceba que a criança não a está observando. Não deve ter medo de expor suas experiências de vida, procurando sempre demonstrar confiança e otimismo frente a criança. Também deve esforçar-se por viver uma vida de pureza, procurando transmutar os impulsos de sua natureza inferior.

É óbvio que a paciência é um fator de extrema importância a cultivar, caso a mãe ainda não a tenha adotado. Até no ambiente familiar mais afável, os problemas para manter uma casa, uma família, cuidar dos filhos, etc., estressam a mulher. Porém é nessa hora, que o seu desenvolvimento e compreensão a ajudam, pois as forças superiores estão sempre prontas para auxiliar a quem pede orientação e proteção.

A mente de uma criancinha é semelhante a uma folha em branco onde qualquer coisa que for escrita parecerá clara e pura, e essa impressão sempre será lembrada e terá efeito sobre a pessoa.

O desenvolvimento dos veículos 
O registro da vida física de uma pessoa sobre a Terra é iniciado quando o recém-nascido aspira o primeiro sopro de vida, e este processo continua até o último suspiro exalado. Quando a criança, pela primeira vez, respira plenamente, as condições fisiológicas do coração são alteradas, a forma ovalada é fechada e o sangue é forçado a circular através do coração e dos pulmões. Através do contato do sangue com o ar nos pulmões, ela é capaz de absorver a imagem ao seu redor. O sangue é o veículo do Ego e, quando completa o seu trajeto no coração, deixa uma marca no átomo semente do coração, que está localizado em seu ventrículo esquerdo. Sobre esta superfície infinitesimal são gravadas todas as imagens do mundo exterior que transcorrem durante uma vida.

Como estudantes do ocultismo, aprendemos que nos primeiros sete anos de vida da criança somente os polos negativos dos éteres no Corpo Vital são ativos. Por isso, as faculdades da visão e da audição, as quais dependem das forças negativas dos éteres luminoso e refletor, torna a criança "toda olhos e ouvidos". Para o desenvolvimento da criança é extremamente proveitoso que os pais prestem atenção mesmo numa idade bem prematura, às cores que acercam e, mais importante ainda, ao som e ao ritmo que a criança ouve. Isto é altamente válido no decorrer dos primeiros sete anos de sua vida. O som é o grande construtor cósmico e a música deve expressa o som de uma maneira melódica e harmoniosa. As canções de embalar têm justamente uma melodia e um ritmo adequado e quando cantadas por uma mãe dedicada ajudarão muito na construção do corpo do filho.

Aos sete anos de idade o Corpo Vital é despertado, e a memória e a perceção passam a desempenhar papéis fundamentais. Nesse período a criança é imparcial, desprovida de ideias preconcebidas e muito curiosa. A mãe pode canalizar esta energia de modo que contribua para o desenvolvimento da criança, bem como para o seu futuro auto controle e auto confiança É certo que é difícil ser razoável com a criança nessa idade; caso não responda favoravelmente às sugestões de comportamento alternativo, a disciplina faz-se necessária, sendo muito mais eficiente do que dizer muitos "nãos". O tipo de disciplina que a mãe dá para a criança, mais uma vez, demonstra o seu nível de desenvolvimento. O castigo corporal, a ira, etc., servem apenas para reprimir emoções ou reforçar o senso de superioridade sobre a criança. O efeito é totalmente negativo. Se a disciplina faz-se necessária, a negação de favores e a não concessão de privilégios, torna-se mais eficiente. Tal política irá conscientizar a criança a respeito de sua conduta, não havendo assim a necessidade de punição física.

Durante esse período e algum tempo antes do nascimento do Corpo de Desejos, a criança deveria aprender alguma coisa sobre a origem do ser. A natureza dá-nos grandes demonstrações e exemplo ensinando como as espécies são geradas tanto nas plantas como no reino animal. Quando a criança for assim orientada e os educadores considerarem sua própria capacidade de entendimento e responderem sempre às suas indagações, estará ela preparada para experimentar as mudanças que ocorrem durante o tempo de sua confusa adolescência. As crianças até os catorze anos de idade são ainda de certo modo parte de seus pais porque na Glândula Timo está armazenada a essência do sangue dos pais, o qual a criança utiliza na fabricação de seu próprio sangue durante os anos da infância. A Glândula Timo do bebê é maior antes do nascimento e diminui com o passar do tempo. Por volta do décimo quarto ano, o Ego está pronto para autoafirmar-se e é capaz de fabricar seu próprio sangue. Ele torna-se uma identidade: "Eu".

É chegado o momento dos pais e professores serem tolerantes e sentirem simpatia pelo jovem em desenvolvimento e que enfrenta vários problemas. Se ele tiver aprendido a confiar e amar os mais velhos, seguirá seus conselhos e os riscos dessa fase não serão tão sentidos. Sentimentos e paixões explodem nesse momento, quando nasce o Corpo de Desejos individual. A mente individualiza ainda não se manifestou e nada reprime a natureza do desejo. É fácil, nesse período, o adolescente ser levado a hábitos indesejáveis que podem ter resultados desastrosos.

Os pais e professores devem manter sempre boas relações com ele demonstrando um interesse bondoso e uma compreensão amorosa.

É a época em que se deve ensinar ao jovem a observar, a aprender o valor que uma investigação minuciosa de tudo sobre o qual ele deseja formar uma opinião. Deve aprender também que "quanto mais fluídicas mantiver suas opiniões, melhor poderá examinar novos fatos e adquirir novos conhecimentos".

Somos propensos a culpar os pais pelo caráter da criança, mas a teoria da hereditariedade não se aplica ao plano moral. Toda a pessoa é munida de sua própria natureza intelectual e moral. Somente o material para o corpo físico é tomado dos pais. Somos atraídos e levados até os pais pela Lei de Causa e Efeito e pela lei de associação. Isso seria responsável por semelhanças de gostos, mas não podemos culpar a hereditariedade por nossos erros, pois eles são nossos para admiti-los e extirpá-los.

No seu livro Princípios Rosacruzes para Educação das crianças - página 19, Max Heindel nos diz:
"Através dos anos da infância, tanto o sangue como o corpo sendo uma herança dos pais, fazem com que as tendências para as doenças também estejam presentes. Não as doenças propriamente, mas apenas tendências. Após os catorze anos fica dependendo, em grande parte do próprio Ego, a manifestação ou não dessas tendências em sua vida".

A Visão Etérica
É uma pena que a maioria das mães atualmente, não possuam habilidade e nem condições de entender as brincadeiras de suas crianças com seus "amigos invisíveis". É muito comum as crianças terem visões etéricas, verem fadas e anjos e insistirem que o seu companheiro invisível a acompanhe. Elas não estão inventando estórias. "Amigos invisíveis" são entidades reais e fazem parte das brincadeiras das crianças. A mãe que é compreensível, entende isso, mesmo não estando consciente da presença de tais entidades. A imaginação ocupa um lugar importante na vida da criança. Da imaginação surge a criatividade, e sem imaginação uma vida criativa não é possível. A mãe que permite que a criança passe horas em frente de uma televisão, que lhe oferece uma grande quantidade de brinquedos sem lhe dar oportunidades de criar suas próprias brincadeiras, está fazendo com que a criança não adquira capacidade suficiente para lidar com os problemas que venham ocorrer no futuro. Mães que incentivam a criatividade em seus filhos, jamais ouvem delas frases do tipo: "estou aborrecido" ou "não tenho nada para fazer".

A Segurança do Amor
Em tudo o que a mãe faça, o objetivo principal deve ser o amor, a compaixão e a compreensão, o que com certeza será muito benéfico para a criança em formação. Não é fácil ser criança. As restrições a perseguem e tudo parece estar contra ela. Existem mais coisas que precisam ser disputadas e aprendidas do que aquelas que ofereçam satisfação. Logo, a certeza de que está segura no amor materno, a paciência e a compreensão tornarão o processo educativo da criança muito mais fácil, além de transmitir autoconfiança que será de grande valor nos anos posteriores.

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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel