Acordamos às 7 horas da manhã, levantamo-nos, lavamos os
dentes, a cara. Uns tomam um duche. Olhamos para o espelho, os dentes estão
limpos, os olhos algo côvados, algo pálidos. Há quem opte por uma linha nos
olhos, uma cor nas bochechas, outros seguem para a roupa, para a comida,
trabalho. Passa a manhã, chega o almoço, continua o trabalho para a tarde,
alguns para a noite. Chegamos à cama e dormimos. Acordamos às 7 horas,
levantamo-nos, lavamos os dentes, a cara…
Passam-se dias, meses, anos, e as rotinas mais regulares
para os obsessivos, mais irregulares para os rebeldes, tornam-se monótonas com
o olhar de décadas. E, num momento estranho (eles próprios ocorrem com alguma
frequência), surge na vida de cada um, mas porque é que sou assim? Porque é que
faço as coisas desta forma? Vale a pena continuar?
Ser ou não ser…
Hamlet, William Shakespeare
Uma das versões da análise desta famosa pergunta
relaciona-se com vale ou não a pena viver? E uma das respostas duras é que
viver é simplesmente melhor do que a morte. Mas penso que todos nós estaremos
em condições de dar melhores respostas à questão “vale a pena viver?”.
Mas e que outras questões existem, que outras questões
frequentemente assolam o espírito humano? Existe aquele clássico: de onde
viemos, onde estamos, para onde vamos? Talvez para responder a esta pergunta já
seja necessário estudar um pouco mais, como vimos na última reunião, e lendo os
textos sobre a iniciação Rosacruz, podemos ter uma resposta mais completa a
este clássico.
Podemos inclusivamente responder a todas estas perguntas, e
a muitas mais, mas somos nós realmente? Uma das primeiras limitações que temos
é o hábito que faz tão parte de nós como o nariz de desligarmos a nossa
consciência para os actos simples que realizamos a cada momento. O cérebro para
poupar energia e deixar espaço para nos preocuparmos com novos acontecimentos,
torna tudo o que pode num hábito. É assim que aprendemos a engolir, a mastigar,
a andar, a falar e a escrever,… Até ao ponto em que a maioria das pessoas vive no
automático que é a vida. Realmente a “sociedade” não existe como um único
organismo, mas existe como o resultado da interacção dos seres humanos de uma
determinada localização. Acabamos por ser como um enxame e qual é a melhor
forma de o enxame prosperar? Acertaram, é fazer tudo no automático, não
questionar, não mudar. É por isso que o statuos
quo é tão poderoso. Gasta muita energia ao enxame mudar a forma de realizar
as actividades diárias.
Para ser, precisamos de ser livres para nos expressarmos.
Até que ponto isto é verdade? Somos sempre limitados pela sociedade, se não for
por ela, por aquilo que nós pensamos que é socialmente correcto. Se não for por
isso, por aquilo que nós achamos pessoalmente correcto. Se não for por isso,
pela forma como o nosso inconsciente e as nossas defesas inconscientes
funcionam. Se não for por isso, pelas nossas próprias limitações cognitivas e
físicas.
Aquele que sabe que não é livre, está um passo mais próximo
da liberdade.
Este mês em que estamos caminhamos para um dos momentos de maior
profundidade espiritual do ano e pode surgir a pergunta, mas afinal porquê o
Natal, quem era Cristo?
Eu deixo-nos o trabalho de percebermos quem é que nós somos?
Que agressividades, sensualidades, maldades guardamos dentro de nós? Que
carinhos, bondades? Que dependências? Que más indiferenças?
Qual é o nosso eu do trabalho? Dos amigos? Da família? De
nós próprios?
Nós que somos múltiplos, pois essa é uma verdade inevitável
devido à nossa capacidade inata de adequação social, afinal quem somos? Se não
tivéssemos capacidade de contenção dos nossos impulsos, se não tivéssemos
“rédeas” na nossa vida diária, qual era o nosso cognome?
Assim, o trabalho para este mês é a observação do nosso
interior, com a máxima atenção e vejam realmente o que se passa por dentro de
nós na nossa interacção com o mundo. (E claro, sejam verdadeiros convosco, pois
as emoções e a consciência delas, são duas coisas completamente diferentes).
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Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel
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