“Protege-me da ingénua
fé de que tudo vai correr bem na vida. Dá-me o sóbrio conhecimento de que as
dificuldades, derrotas, fracassos e revezes são um natural acrescento da vida
que nos faz crescer e amadurecer.”
Antoine de Saint-Exupéry
Introdução:
Uma das definições mais práticas que encontrei, indica que a
resiliência é a capacidade que uma pessoa tem de se levantar depois da queda.[1]
Achei que este seria um tema actual pois somos confrontados
cada vez mais com notícias de pessoas que nos são próximas e de um momento para
o outro tiveram que mudar radicalmente a sua vida encontrando-se em situações
delicadas e que aparentemente não vislumbram uma solução imediata e
satisfatória.
É nestas mudanças que nos confrontamos com a resiliência:
quanto estamos preparados para começar tudo de novo? E qual a rapidez com que
vamos conseguir obter novamente a nossa estabilidade emocional?
Espero que este texto ajude a chegar a algumas respostas.
O Conceito Geral:
O tema sempre me interessou. Inicialmente por um defeito de
profissão, pois ‘levamos’ com o conceito resiliência em quase toda a vida
académica e é de uma forma natural que tento adaptar o conceito à vida quotidiana.
Há uns meses, e interessado em conhecer um novo projecto na
área da sustentabilidade pessoal: Wakeseed[2]
(recomendo), frequentei um curso onde a resiliência foi definida de uma forma
sobre a qual me identifico:
Quando nos deparamos com um problema, podemos abordá-lo de
forma negativa (vendo o copo meio vazio) ou de forma positiva (copo meio
cheio). No entanto, há que ter especial atenção ao excesso de pensamento
positivo, pois pode alhear-nos da realidade e provocar-nos alguma ingenuidade
em relação ao que realmente está a acontecer.
Atitudes a assumir no alcance de capacidade resiliente:
1.
Optimismo : criar e alimentar uma auto-imagem
positiva não descurando o realismo.
2.
Aceitação: lidar com a ambiguidade e a
complexidade das situações com que nos deparamos, fomentar a paciência que nem
sempre é fácil de conseguir quando nos encontramos em encruzilhadas da vida. Aceitar
o que não pode ser mudado.
3.
Orientação à procura de soluções: redefinir o
conceito de “problema” e encontrar soluções para os “não-problemas”.
Desenvolver alternativas e aceitar soluções provisórias e/ou parciais, mantendo
um pensamento criativo.
Não querendo desvendar todo o conteúdo do curso pois pode
haver interessados no tema que também o queiram frequentar, e com a certeza que
não estou a cometer qualquer abuso nos direitos de autor pois o curso é
facilitado gratuitamente com o objectivo altruísta de ajudar a compreender e a
ultrapassar as adversidades da vida, foi com prazer que verifiquei que nos Ensinamentos
que seguimos tudo se encaixa neste conceito.
Do ponto de vista
espiritual:
Reportando o tema à Filosofia Rosacruz, considero que a
resiliência pode ser cultivada através dos Ensinamentos:
1. Pensamentos puros.
Sabemos que os nossos pensamentos têm uma
grande influência no Mundo Físico. A ruminação de ideias negativas podem acabar
por se materializar e obrigar-nos a lidar com elas. Além disso, é no pensamento
positivo e criativo que reside a capacidade de mudança, quando se verifica
necessária.
2. Lei da causa e efeito.
Atitudes correctas são recompensadas pelo
Universo. A resiliência consiste em grande parte na confiança interna que
possuímos, sendo que a garantia de agirmos correctamente dá-nos motivos para
acreditar que rapidamente ultrapassamos os obstáculos que se nos deparam.
3. Serviço amoroso.
A dedicação de parte (ou da totalidade) da
nossa vida em função do próximo, motiva-nos a continuar focados na evolução e
ajuda-nos a superar as situações menos boas da nossa vida com algo de positivo
para nos ocupar.
4. Retrospecção e concentração.
Estes exercícios orientam-nos e focam-nos
no que realmente interessa. A análise que efectuamos com a manutenção destes
exercícios facilita-nos a procura de respostas e de soluções.
5. Assertividade.
Devemos focar-nos e ‘olhar’ para o que o
Universo nos apresenta de forma consciente. Embora a vida seja uma passagem,
devemos vivê-la de forma consciente e não passar por ela superficialmente.
Max Heindel numa das cartas aos estudantes[3] refere a
importância de conseguirmos ultrapassar as adversidades sozinhos, pois assim
podemos considerar possuir alguma capacidade resiliente e o nosso papel junto
de quem nos é próximo acaba por ser mais produtivo e complementar.
Conclusão:
Muito mais havia para dizer sobre o tema, e existem imensos
textos sobre o assunto, mas sendo a intenção deste texto lançar a base para
discussão, termino deixando uma pequena reflexão pessoal acerca de um texto que
li no mês passado.
O texto começava por indicar que devíamos aceitar tudo o que
nos é apresentado pelo Universo e resignarmos a esse destino divino.
Não partilhando da mesma posição, pois a resiliência vem mostrar-nos
que devemos analisar as situações negativas de forma criativa com vista à sua
mudança, verifiquei no seguimento da leitura do texto que tal posição
apresentava outra hipótese e que se baseava na necessidade natural que temos
para a mudança em busca da felicidade.
Refiro-me ao texto de Junho sobre a Não Aceitação que achei
extraordinário.
E é disto que se trata: analisar consciente e assertivamente
as situações que nos aparecem e aplicar os nossos conhecimentos e a nossa fé
para ultrapassar as situações que nos causam instabilidade física, psíquica e
espiritual. O objectivo do ser humano é evoluir, mas fazendo-o dentro do amor e
da felicidade.
Texto enquadrado em Reuniões de Estudo dos Ensinamentos Rosacruzes segundo Max Heindel
[1] O termo “resiliência
psicológica” surgiu na década de 60, quando Frederic Flach, estudando sua
história de vida e de outros que haviam superado grandes adversidades,
emprestou-o da Física e da Medicina e passou a empregá-lo para o ser humano.
Desde aquela época, a resiliência tem sido atribuída a pessoas com enorme
capacidade de enfrentar desafios, lidar com imprevistos e superar crises sem
serem afetados negativamente por elas, ou seja, mantendo seu equilíbrio
emocional e conservando sua essência. Em outras palavras, é a rapidez em
levantar-se após a queda. (http://proutsp.blogspot.pt/2011/08/resiliencia-emocional.html)
[2] http://www.wakeseed.org/
[3] http://www.fraternidaderosacruz.org/ce20.htm
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